quinta-feira, dezembro 20, 2007

Providencia Cautelar da ADIM contra as obras nas Ladeiras

- TRIBUNAL NOTIFICOU AS PARTES -
O Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja (TAFB) notificou as partes no passado dia 14 de Dezembro, para juntarem aos autos ficheiros informáticos relativos aos documentos apresentados no processo. Nas suas diferentes fazes, a ADIM já entregou perto de uma centena de páginas contendo provas diversas como legislação, fotos de antes e depois das intervenções entre outra documentação.

Recordamos que a ADIM interpôs providência cautelar, em Agosto de 2007, com o objectivo de embargar as obras que a autarquia de Reguengos está a efectuar nas ladeiras históricas de Monsaraz e em dois Parques de estacionamento por estas não terem projecto aprovado pelo IPPAR. Parte destas obras abrangem a Zona Especial de Protecção das Muralhas de Monsaraz, classificadas como Monumento Nacional, e em especial a sua Zona “Nom Aedificandi” onde é interdita qualquer construção.

Com este pedido, espera a ADIM que esteja para breve a resposta do TAFB a um processo cautelar que já deveria ter tido resposta, face à urgência e gravidade das acções perpetuadas.

A Direcção da ADIM

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Notícia no Jornal "Palavra" de 13 de Dezembro

Saiu na edição de hoje, 13 de Dezembro de 2007, uma notícia sobre um assunto do interesse desta associação cujo título inclui uma informação errada (“tribunal rejeita providencia cautelar da ADIM”) que dá a entender ao leitor uma coisa completamente diferente do que de facto aconteceu. A ADIM sai penalizada desta informação.

O que o Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja (TAFB) indeferiu foi um pedido especial, efectuado em 3 de Outubro de 2007, de decretamento provisório da providência previamente interposta em 17 de Agosto de 2007. Este pedido de especial urgência visava acelerar o pedido inicial, por entendermos que já tinha passado tempo suficiente para o TAFB se pronunciar. Este indeferimento não se refere, portanto, à providência cautelar requerida pela ADIM, que continua a aguardar resposta por parte do tribunal. O tribunal não rejeitou a providência cautelar, mas sim o pedido de especial urgência. O tribunal entendeu não haver uma especial urgência para este pedido, e oportunamente se ira pronunciar sobre a providência cautelar, que continua a correr os trâmites normais. Ora, o título usado, pode levar a pensar que a ADIM perdeu no tribunal uma causa, o que não aconteceu. De qualquer modo, convém ainda esclarecer que o pedido de providência é uma iniciativa cautelar que culminará com uma acção, que a seu tempo dará entrada nos tribunais competentes.

Aliás, a ADIM emitiu um comunicado sobre este mesmo assunto em 6 de Dezembro de 2007, que esclarece convenientemente esta interpretação, que classificamos de demagógica, veiculada pelo Município.

A Direcção da ADIM

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Sobre a informação do Município de Reguengos de 20 de Novembro de 2007

A ADIM - Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz - interpôs em Agosto passado no Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja uma providencia cautelar de embargo de obra, destinada a impedir a intervenção que o município está a levar a efeito nas ladeiras e em dois parques de estacionamento, parte deles em zona interdita à construção e dentro da zona de protecção do Monumento Nacional Classificado.
O que está em causa é a forma de execução destas obras, com maquinaria pesada do exército sem o devido acompanhamento arqueológico e sem as autorizações para tal, previstas legalmente, por se tratar de zona classificada como Património Nacional.
Intentou a requereu no mesmo Tribunal, no dia 3 e Outubro - ainda com mais urgência – o decretamento provisório da providencia, pretendendo deste modo a imediata suspensão dos trabalhos.
Entendeu a MMª Juíza, que não se justificava tanta e especial urgência, ainda que a urgência da providência do embargo das obras a obrigue a pronunciar-se rapidamente sobre o processo. Foi pois, em prol e na defesa inabalável e firme dos interesses da Vila de Monsaraz e deste importantíssimo património, que a ADIM intentou este pedido de especial urgência, que não foi aceite pelo tribunal, sendo esta associação penalizada com custas, pelos mínimos legais, e em montantes inferiores aos que o Município de Reguengos veio referir.
Em tempo oportuno, urgente e legal, o Tribunal Administrativo de Beja dará resposta à providência cautelar de embargo de obra requerida pela ADIM.
Monsaraz, 6 de Dezembro de 2007
A Direcção da ADIM

sexta-feira, novembro 02, 2007

PROCESSO DAS OBRAS NAS LADEIRAS HISTÓRICAS DE ACESSO À VILA E PARQUES DE ESTACIONAMENTO EM MONSARAZ

FINAIS DE JULHO 2007

No decorrer do mês de Julho, constatou o corpo técnico da ADIM que maquinaria pesada do Exército Português se encontrava na Freguesia de Monsaraz. A ADIM desconhecia o projecto promovido e aprovado pelo Município de Reguengos de Monsaraz, visto o Sr. Vice Presidente do Município Reguenguense nunca ter feito chegar os projectos de “Recuperação das Calçadas Medievais” e dos “Parques de Estacionamento” conforme prometeu em reunião realizada entre as duas entidades no dia 9 de Fevereiro de 2006. No decorrer das obras, estranharam os representantes da ADIM a forma e a realização técnica da obra, tendo-se dirigido aos locais, o Presidente e o Vice-Presidente da ADIM, já nos últimos dias do mês de Julho.


Dia 01 DE AGOSTO 2007

De imediato, elaboraram um comunicado, no qual se descrevem as suspeitas de ilegalidade verificadas, o qual fizeram chegar aos representantes do IPPAR, do Município de Reguengos de Monsaraz, da CCDR, do IGAT, da brigada ambiental da GNR e demais entidades interessadas, bem como aos órgãos de comunicação social locais, regionais e nacionais, dada a gravidade do assunto.

LADEIRAS HISTÓRICAS DA ViLA DE MONSARAZ ESTÃO A SER ARRASADAS

Estas informações, foram enviadas para as entidandes competes e com responsabilidades de tutela, como o Município de Reguengos de Monsaraz, o IPPAR, a CCDRA, o IGAT, a Brigada do ambiente da GNR, etc, conforme documento seguinte:

de: ADIM associação de defesa dos interesses de monsaraz adim.monsaraz@gmail.com>
para: mandrade@ippar.pt
data: 01/08/2007 18:15
assunto: MONSARAZ - Ladeiras Históricas Arrasadas
enviado por: gmail.com

Para conhecimento de V.ª Exc.ª
Junto se envia documento descritivo de duas obras que neste momento se encontram em curso nas encostas de Monsaraz. Uma delas é pública e promovida pelo Município. Outra é particular. Ambas estão a ser realizadas sem qualquer tipo de painéis de identificação pelo que se desconhece o seu enquadramento legal.
Por entendermos que estas obras são prejudiciais para a imagem de Monsaraz e para a sua qualidade ambiental e paisagística e ainda por questionarmos a sua legalidade face ao que delas é visível, vimos por este meio enviar o referido documento com o pedido de actuação que esteja ao Vosso alcance.

Presidente da Direcção da ADIM
Jorge Paulo Sanches Cruz
Arquitecto
(em ficheiro anexo ficheiro: Ladeiras_arrasadas.pdf)


DIA 9 DE AGOSTO 2007

Das comunicações efectuadas resultou a resposta do IPPAR, por parte do técnico que então desempenhava funções de Delegado Regional desse instituto, por se encontrar a delegada de férias:

----- Original Message -----
From: Marco Andrade
To: Jorge Cruz
Sent: Thursday, August 09, 2007 11:18 AM
Subject: Re: Ladeiras de Monsaraz

Caro Arquitecto Jorge Cruz,
Como pode imaginar, e a título pessoal, é com perplexidade que vejo situações como essa acontecerem desnecessariamente.

Todavia, ainda ontem foi solicitado oficialmente à Autarquia a suspensão dos trabalhos até que fossem prestados os esclarecimentos solicitados na reunião realizada no passado dia 7 do corrente mês e apreciada a pretensão da Autarquia, apesar de, infelizmente, não reverter a situação. Contudo, é sempre possível apurar se os trabalhos deveriam ou não ser legalmente autorizados pela tutela.
Agradeço, uma vez mais, a vossa colaboração.
Cumprimentos,
Marco Andrade
(Divisão de Salvaguarda)

Nesse mesmo dia, e em consequência das reuniões e da visita à obra, e por solicitação do IPPAR, foi a câmara entregar um projecto para apreciação, pois que ainda não o havia feito como lhe competia, a que chamou de “projecto de recuperação de caminhos pedonais.”
DIA 10 DE AGOSTO 2007

O projecto, pouco mais do que uma memória descritiva e alguns desenhos de especialidades, é subscrito por dois engenheiros. O parecer técnico do IPPAR da autoria da arquitecta paisagista Cláudia Giões, datado de dia 10 de Agosto, é claro:
- Os projectos não foram entregues atempadamente para apreciação na instância competente;
- É imprescindível o acompanhamento arqueológico;
- Deve ser evitado o calcetamento com calçada tipo medieval, preservando os troços de calçadas medievais existentes e revestindo as demais áreas apenas com terra batida ou saibro;
- No que se refere a muros e muretes, que sejam reconstruídos com junta seca, não argamassada mantendo a técnica tradicional;
- No que diz respeito ao parque de estacionamento, considera-se que a coordenação deverá ser de autoria de arquitecto e/ou arquitecto paisagista (nº 3 do Decreto-lei nº 205/88 de 16 de Junho, conjugado com o nº 1 do art.º 45º da lei 107/2002, de 8 de Setembro);
- Não existe no “projecto” (as aspas são do próprio parecer) levantamento topográfico;
- O “projecto” tem um impacte negativo muito forte;
- … uma vez que já foram feitas as terraplanagens e arrasado o coberto vegetal, (o impacte visual) já não pode ser minimizado;
- Nas peças entregues não existe nenhuma memória descritiva ou justificativa do que se pretende fazer e quais os materiais a utilizar, nem inertes nem vegetais;
- Nos desenhos, nomeadamente nos perfis, é mencionado a utilização de betão betuminoso, o que é totalmente desaconselhado para uma situação rural, em pleno campo aberto, num sopé de uma encosta
- Pedem-se novos acertos e regularização da situação com vista à legalização da intervenção, que se confirma era ilegal à data da providência, e que continua a ser até às referidas regularizações;

Acontece que o projecto em causa, para além de todas as irregularidades, omissões técnicas, erros, e falta de elementos, uso de materiais totalmente desaconselhados, ou seja um projecto muito deficiente, executado por dois engenheiros civis, NÃO DEVERIA SEQUER SER ANALIZADO, UMA VEZ QUE PARTE DESTES PARQUES DE ESTACIONAMENTO SE LOCALIZAM EM ZONA “NON AEDIFICANDI”, COMO TAL INTERDITA A QUALQUER CONSTRUÇÃO. (zona vedada à construção, conforme mapa que se junta mais à frente, que faz parte integrante do DG (II Série), n.º 187, de 14-08-1951).

Tal facto é suficiente para recusa simples do projecto. O mesmo se aplica à parte das ladeiras que se encontra dentro dos mesmos limites, onde é interdita qualquer tipo de construção.
- Como tal, a aprovação dos referidos projectos pela autarquia, a 1 de Fevereiro de 2006, contraria a lei pois à altura ainda não haviam sido apreciados pelo IPPAR e como tal não podiam ser aprovados pela autarquia sem tal parecer.
- Como irregular foi a candidatura a fundos comunitários, pois tais projectos, para além de imensamente deficientes e sem qualidade, não poderiam ser candidatados por estarem feridos de ilegalidade.

Como as obras continuaram, a ADIM insistiu junto doIPPARn e do Município de Reguengos:

de: Jorge Cruz jpsc@sapo.pt
Data: 10 Ago
para: Marco Andrade
data: 10/08/2007 13:27
assunto: Re: Ladeiras de Monsaraz
enviado por: sapo.pt

Cara Arquitecto Marco Andrade
Agradecia, se possível, que me informasse do andamento do processo das ladeiras de Monsaraz. Sei que ontem houve mais uma reunião em que estiveram presentes técnicos da câmara, e sei que o vosso pedido de suspensão não foi respeitado. Ontem, e hoje, as obras continuam, as escavações e aterros avançam em plena zona de protecção, estando cada vez mais próximas do sistema defensivo avançado. Mais do que a falta de cuidado técnico na execução da obra, que considero ilegal por não ter parecer desse instituto, a localização deste futuro parque de estacionamento para autocarros é um elemento dissonante e agressor do conjunto monumental classificado. A execução deste projecto, ainda que viesse a ser executado com acompanhamento arqueológico, é uma afronta à vila de Monsaraz por ser inestético, mal localizado e ter um impacto negativo na imagem e na envolvente de Monsaraz, junto ao seu principal acesso. Isto apesar desta zona já estar suficientemente degradada com as obras que têm sido realizadas nos últimos anos, com rotundas, ajardinamentos e panos de muralha inventados, completamente a despropósito, mal enquadrados e fortemente agressores da simplicidade e monumentalidade do conjunto fortificado.
Face a este panorama, os cidadãos sentem-se sem qualquer possibilidade de evitar estes crimes, porquanto as administrações se comportam como entidades arrogantes e prepotentes, que se sentem acima de qualquer lei. Todos sabemos que o que se está a passar e inadmissível, todos estamos a ver acontecer, mas vemos também que não temos meios para deter esta prepotência e insensibilidade perante o património que é de todos. Parece que estamos num pais sem leis nem regras. Por isso lhe peço que me informe do andamento do processo, no sentido de tentarmos, enquanto cidadãos e representantes de uma associação, fazer algo mais que possa impedir a continuação das obras que nos tentam impingir desta forma arbitrária, prepotente e insensível.

Pela Direcção da ADIM
Jorge Cruz
(presidente da direcção)

--

de: Jorge Cruz 10 Ago
José Calixto jose.calixto@netcabo.pt, Dr. Calisto jose.calisto@mail.pt
data: 10/08/2007 13:44
assunto: Fw: Ladeiras de Monsaraz
enviado por: sapo.pt

Sr. Dr. José Calixto
Vice-presidente da Câmara Municipal de Reguengos

Agradecia, se possível, que nos informasse do andamento do processo das ladeiras de Monsaraz. Sei que ontem houve mais uma reunião no IPPAR, em que estiveram presentes técnicos da câmara, e sei que o pedido de suspensão das obras não foi respeitado. Ontem, e hoje, as obras continuam, as escavações e aterros avançam em plena zona de protecção, estando cada vez mais próximas do sistema defensivo avançado. Mais do que a falta de cuidado técnico na execução da obra, que considero ilegal por não ter parecer do IPPAR, a localização deste futuro parque de estacionamento para autocarros é um elemento dissonante e agressor do conjunto monumental classificado. A execução deste projecto, ainda que viesse a ser executado com acompanhamento arqueológico, é uma afronta à vila de Monsaraz por ser inestético, mal localizado e ter um impacto negativo na imagem e na envolvente de Monsaraz, junto ao seu principal acesso. Isto apesar desta zona já estar suficientemente degradada com as obras que têm sido realizadas nos últimos anos, com rotundas, ajardinamentos e panos de muralha inventados, completamente a despropósito, mal enquadrados e fortemente agressores da simplicidade e monumentalidade do conjunto fortificado.
Face a este panorama, os cidadãos sentem-se sem qualquer possibilidade de evitar estes crimes, porquanto as administrações se comportam como entidades arrogantes e prepotentes, que se sentem acima de qualquer lei. Todos sabemos que o que se está a passar e inadmissível, todos estamos a ver acontecer, mas vemos também que não temos meios para deter esta prepotência e insensibilidade perante o património que é de todos. Parece que estamos num pais sem leis nem regras. Por isso lhe peço que nos informe do andamento do processo, enquanto cidadãos e representantes de uma associação de defesa dos interesses locais, que tenha em conta as recomendações do IPPAR, e que suspenda as obras até que haja um consenso técnico sobre a oportunidade da sua realização, a qualidade técnica e respectivas mais valias patrimoniais do projecto. Isto apesar de sabermos que o que já se destruiu é irrecuperável, o que lamentamos profundamente.

Pela Direcção da ADIM
Jorge Cruz
(presidente da direcção)

Na sequência do não abrandamento das obras em causa, e do avançar para a destruição da encosta sita no corro para a construção de dois parques de estacionamento, a ADIM, voltou a produzir um novo documento denunciando mais uma vez as obras nas calçadas e as novas intervenções, ao IPPAR, IGAT, SEPNA, e para a comunicação social.
NOVO COMUNICADO: MONSARAZ - Ladeiras históricas arrasadas


ZONA ESPECIAL DE PROTECÇÃO - ZONA “NON AEDIFICANDI”

Considera a ADIM que a gravidade da intervenção ultrapassa todos os limites, estando grande parte da intervenção das ladeiras a ser feita em Zona Especial de Protecção e outra parte das ladeiras, tal como todo o parque de estacionamento, está dentro de Zona Interdita à Construção – Zona “Non Aedificandi”, conforme se pode constatar no Decreto Lei de 10 de Maio de 1951, ora apresentado:


Numa ampliação da carta que consta do decreto lei, que define as zonas especial de protecção (ZEP) e a zona vedada à construção, é visível a parte das obras que se encontra dentro da ZEP e da Zona Interdita à construção:


DIA 16 DE AGOSTO 2007



A 16 de Agosto, recebe o Município o parecer técnico do IPPAR, datado de 10 de Agosto. No entanto, mesmo com o parecer que acima se referiu, e apesar de parte das obras se situarem em área interdita à construção, e terem sido iniciadas sem projecto, o Presidente do IGESPAR, Elísio Summavielle, em despacho de 13 de Agosto, diz:

Concordando com o exposto, julgo tratar-se de uma obra que deve ter um acompanhamento assíduo por parte da (ex)DRE. Nesse sentido, e com vista a uma regularização da situação a breve prazo, deverão ser realizados pela autarquia (em articulação com a DRE) os necessários acertos no “programa” e projecto de intervenção, necessários à legalização da intervenção.


Ou seja, uma obra ilegal, feita sem projecto e em zona interdita à construção, pode, na opinião deste senhor, ser passível de “legalização”, e de preferência a “breve prazo”.


Nesse mesmo dia, realiza-se uma inédita e incrível reunião convocada pela Governadora Civil de Évora, não se sabe a que titulo, em que estão presentes o Presidente da Câmara de Reguengos, a Directora Regional do IPPAR, um técnico do IPPAR e 3 técnicos da Câmara Municipal, e em que foi acordado, conforme acta, continuar com os trabalhos do parque de estacionamento, desde que devidamente acompanhados arqueologicamente, e se possível com uma melhor adaptação morfológica do terreno ao tipo de pavimentação. Quanto às ladeiras, ficou ao critério do município estudar uma proposta de solução, desde logo contrária à proposta pelo parecer técnico, por se considerar inadequada à situação. Ou seja, numa reunião em que a maioria dos presentes são políticos ou técnicos do município infractor, são tomadas decisões técnicas contrárias ao parecer aprovado superiormente, e ainda assim, desde que possível.



DIA 17 DE AGOSTO 2007

Todo este processo mobilizou sócios e corpos sociais da ADIM bem como outros cidadãos interessados no assunto, que diariamente e em permanência acompanharam com incredulidade as obras e todo o processo, do qual ressalta que houve uma conduta errada da câmara ao não aceder a parar as obras e a tentar encontrar uma solução. Antes pelo contrário, a câmara tentou a todo o custo ultrapassar a questão por via politica, promovendo várias reuniões e tramitando acções no sentido de que as obras, ilegais e sem projecto, fossem aprovadas. Assim, e no sentido de parar as obras, verificou-se como única solução a entrega de uma providência cautelar contra o município de Reguengos de Monsaraz, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja. O que aconteceu a 17 de Agosto de 2007.



DIA 27 DE AGOSTO 2007


Por solicitação do Juiz que deu seguimento à providência cautelar instaurada, teve a ADIM que entregar a 27 de Agosto de 2007 informação mais detalhada para aperfeiçoamento do processo.



DIA 7 DE SETEMBRO 2007


Neste dia são entregues no IPPAR pelo Município de Reguengos, elementos relativos ao
projecto do parque de estacionamento de Monsaraz. Numa reunião em que estão presentes para além do Directo Regional de Cultura do Alentejo e da (ex) directora regional do IPPAR, que entretanto viu a sua tutela remodelada, um técnico do IPPAR, o Presidente da Câmara e 4 técnicos do Município de Reguengos, foram entregues esses elementos e na acta da recepção é logo referido que
“serão analisados os elementos à luz do legalmente considerado. Do ponto de vista técnico, e pese uma analise mais apurada dos serviços, correspondem à tentativa de resolver condicionantes colocadas pelo serviço, designadamente a sua integração paisagística."


Recordamos que estamos a falar de um projecto que nem poderia ser apreciado, uma vez que se situa em zona Non Aedificandim, conforme legislação que determina a ZEP de um monumento Nacional.



DIA 11 DE SETEMBRO 2007


Datado deste dia, um relatório do arqueólogo Nuno Miguel Pedrosa, relativo ao acompanhamento da remoção das terras pre-existentes, posterior portanto ao início das obras e mesmo posterior à entrega dos elementos relativos ao projecto do parque de estacionamento de Monsaraz, feita a 7 de Setembro, refere-se como ponto de partida que “Aquando da chegada ao campo, cerca de 95% da área já havia sido escavada sem acompanhamento arqueológico…” Ainda assim, o referido técnico identificou inúmeras estruturas, e uma grande quantidade de materiais arqueológicos, materiais de construção e cerâmica doméstica de época Moderna/Medieval.



DIA 12 DE SETEMBRO 2007


Datado de 12 de Setembro, e estranhamente dando entrada no mesmo dia no Município de Reguengos, o Director Regional da Cultura do Alentejo assina um despacho em que informa que “sou de parecer favorável à pretensão, uma vez que eles (os elementos entregues) vêm responder às condicionantes colocadas e ao despacho de 13/08/2007 do Senhor Presidente do IGESPAR. O referido documento não especifica a que pretensão se refere, nem está acompanhado de nenhum parecer técnico. Ou seja é um parecer político relativo a um assunto sobre o qual não foi dado nenhum parecer técnico, o que para o caso em apreço e com os antecedentes conhecidos é no mínimo muito estranho. Aparentemente, pode-se pensar que o referido parecer foi feito muito à pressa, e muito rapidamente feito chegar ao Município de Reguengos, no mesmo dia em que foi produzido, tendo portanto chegado em mão e não pelo correio como seria normal, a tempo de ser incluído na contestação à providência cautelar interposta pela ADIM.


DIA 14 DE SETEMBRO 2007

Na sequência da Providência Cautelar interposta pela ADIM, o juiz do tribunal administrativo notificou o Município de Reguengos de Monsaraz para, querendo, contestar. A contestação apresentada pelo município, que deu entrada no dia 14 de Setembro de 2007, dois dias depois de recebido o despacho do Director Regional da Cultura do Alentejo em que o mesmo informa ser “…de parecer favorável à pretensão…”, consta um conjunto de documentos que só vêm demonstrar a gravidade da situação e dar ainda mais validade às denúncias apresentadas pela ADIM. Ora vejamos:


- Teve o Município de, à pressa e em 3 semanas, fazer um projecto completamente novo, que deveria ter sido feito, com tempo e qualidade, muito antes de iniciar as obras; (em anexo no final deste documento reproduz-se a memória descritiva do referido projecto) - Teve de arranjar um arqueólogo que se limitou a dizer que 95% da área já estava destruída;
- Todas as acções e todos os documentos apresentados, pelo Município, em sua defesa, têm data posterior à da denúncia da ADIM;
- Todas estas atitudes apressadas, numa tentativa de emendar os lapsos cometidos, levam a que a qualidade das intervenções seja remetida para segundo plano;
- De qualquer modo, estamos a falar de um projecto para uma zona em que é proibida, por lei, toda e qualquer construção ou mesmo a alteração da topografia e do coberto vegetal por ser uma zona Non Aedificandi.



DIA 27 DE SETEMBRO 2007


Na Assembleia Municipal realizada a 27 de Setembro de 2007, foi apresentado pelos responsáveis pelo Município de Reguengos de Monsaraz, um documento intitulado: “Ladeiras - Recuperação dos Caminhos Pedonais da Envolvente de Monsaraz / Parques de Estacionamento em Monsaraz: A REPOSIÇÃO DA VERDADE.
- Nesta apresentação continua o Município Reguenguense a negar a destruição realizada das calçadas das ladeiras históricas.
- Mostra um conjunto de fotografias, com que pretende negar qualquer destruição das calçadas, repetindo imagens sempre dos mesmos lugares (muito próximo da Porta de Évora e ao acesso pelas ladeiras ao alto de S. Bento), mostrando sempre zonas com calçadas ainda mantidas, mas não mostrando as zonas onde realizou a destruição. Destruição esta ocorrida em parte em Zona Especial de Protecção e Interdita à Construção. Resumindo, apresentou um conjunto de fotografias de zonas onde nem sequer estão a decorrer obras.
- Foram ainda apresentados uma série de documentos, pouco claros e sem o alcance legal suposto, por terem sido todos produzidos entre a entrada da providencia cautelar e a pronuncia do município através da contestação, ou seja, supõe-se que sejam documentos feitos por pedido, tal como os documentos recebidos da GNR, da CCDRA e da Inspecção Geral da Administração do Território, que apresentam todos a mesma estrutura e molde, nos quais apenas se limitam a emitir as opiniões anteriormente expressas pela câmara. De referir que nenhuma das entidades veio ver, ao terreno, a realidade das obras, como era suposto ter acontecido.
- Apresenta um projecto de arquitectura feito à pressa, apenas por um técnico, quando o tipo de projecto requer uma equipa minimamente constituída pelas especialidades da arquitectura, paisagismo, engenharia do ambiente e especialidades técnicas.
- Ainda nesta apresentação, refere o município, publicamente, que recebeu um pedido de suspensão das obras, mas que não o considerou, não reconhecendo a figura desse “pedido de suspensão”. Chamamos a atenção para o facto de que, numa primeira fase, vociferou nos órgãos de informação o não recebimento desse pedido de suspensão das obras por parte do IPPAR. Esta atitude, de desconsideração para com a instituição do estado que tem a tutela do património, e com a qual tem o dever de ter relações de cooperação, é uma atitude pouco saudável em democracia, incorrecta e pouco responsável por parte de quem tem o dever de gerir nosso património cultural.
- Coloca em causa a legitimidade da ADIM para apresentar uma Providencia Cautelar no Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja. Não responde às questões apresentadas pela ADIM na Providência Cautelar, colocando as questões administrativas à frente das questões que se querem ver resolvidas.
- Dizem nesta apresentação que a ADIM teve um comportamento totalmente destrutivo e litigante, acrescentando que deve a associação, desde já, ser publicamente responsabilizada perante a população de Monsaraz e de todo o Concelho por qualquer atraso nas obras que dificulte ou inviabilize a sua total conclusão ou o seu financiamento previsto.



DIA 4 DE OUTUBRO 2007


Na sequência da contestação apresentada pelo Município, entregou a ADIM a sua réplica, onde defende a sua posição e reafirma a urgência da providência cautelar pedida, salientando nomeadamente:
- O reforço da urgência na paragem imediata das obras ilegais;
- Que o Município de Reguengos de Monsaraz contesta a forma mas não o conteúdo, pretendendo que a acção não tenha efeito, não por conseguir refutar as causas de que a ADIM a acusa, mas por questões laterais processuais. No entender da ADIM, não há nenhuma forma processual que por estar errada torne as obras boas, legais e feitas de acordo com a lei. O que foi destruído e os danos causados não ficam sanadas, ou seja, como é que a CMRM pode ser absolvida desta forma? O mal não está feito? As ilegalidades cometidas passam a ser legais? para além do mais, o que apresentam em sua defesa são apenas factos, pareceres e provações de duvidosa eficácia porque produzidas depois da acção interposta. O que vem provar que fazia todo o sentido ter parado de imediato a obra pelas irregularidades deste modo confessadas. O IPPAR teve na altura todas as razões para propor o embargo e não o fez. Esta atitude, do nosso ponto de vista, deve ser considerada uma decisão administrativamente errada, senão mesmo nula, tal como errada foi a analise e suposta aprovação de um projecto em Zona Interdita à Construção.
- A associação, de acordo com o artigo segundo do primeiro parágrafo dos seus estatutos, tem por fim a defesa dos interesses sócio económicos da freguesia de Monsaraz, nas suas componentes histórica, económica, patrimonial e museológica. A intervenção far-se-á através dos meios legais ao seu alcance. Tem portanto toda a legitimidade para proceder a uma acção deste tipo que, aliás, está ao alcance de qualquer cidadão, mesmo que isoladamente.
- Na sua contestação, a CMRM refere a aprovação camarária do projecto. No entanto esta aprovação não é suficiente para este tipo de projecto, que requer parecer e aprovação do IPPAR, segundo a lei do património. O que não aconteceu nem antes, nem durante nem depois do início das obras. O último ofício da DRCA, não refere a aprovação de qualquer projecto, mas apenas o parecer favorável da pretensão, que não se sabe qual é. E a suposta aprovação apresentada, apresenta vícios de forma, falta de elementos e de pareceres técnicos. É uma “aprovação” politica.
- Todos os documentos apresentados são posteriores à nossa acção, pelo que apenas vêm confirmar a ausência de projectos aprovados, ou seja que todas as obras realizadas foram ilegais. Mais, o relatório técnico do IPPAR, caracteriza com bastante severidade o projecto de mau, quer no que se refere à falta de qualificação dos autores, quer aos métodos previstos, quer às omissões, uso de materiais incorrectos, enfim caracterizando-o como um “não projecto”, inadequado ao local e que não deverá ser viabilizado.
- No documento apresentado na contestação, datado de 7 de Setembro, refere-se à entrega de elementos relativos ao projecto do parque de estacionamento. É impossível, ou pouco provável, que se tenha feito um projecto com os elementos solicitados no parecer do doc, em tão curto espaço de tempo, apenas por um técnico. Um projecto deste âmbito requer uma equipa de arquitecto, arquitecto paisagista, engenheiro do ambiente, engenheiro civil e desenhador, no mínimo. Em pleno período de férias, e em Portugal, seria um milagre. De qualquer modo estamos a falar de um projecto, ainda que fantasma, PRODUZIDO PARA UMA ZONA INTERDITA A QUALQUER CONSTRUÇÃO, COMO SOBEJAMENTE FOI REFERIDO ATRÁS.


- Datado de 12 de Setembro de 2007, dois dias antes de terminar o prazo para entrega da contestação, o IPPAR faz um parecer favorável a uma pretensão que não se sabe qual é, sem parecer técnico anexo, que não pode ser confundida com a aprovação de um projecto, PARA UMA ZONA INTERDITA À CONSTRUÇÃO. OS ELEMENTOS DERAM ENTRADA a 7 DE SETEMBRO, NUMA 6º FEIRA, E O PARECER, QUE NÃO É UMA APROVAÇÃO, É DATADO DE DIA 12 DE SETEMBRO. UM VERDADEIRO MILAGRE. CLARO QUE, AINDA QUE TUDO ISTO FOSSE POSSIVEL, NÃO RETIRA UMA VIRGULA Á NOSSA ACÇÃO, ANTES PROVA QUE ATÉ DOIS DIAS ANTES DA CONSTESTAÇÃO, ENTREGUE A 14 DE SETEMBRO, AS OBRAS CONTINUARIAM A SER ILEGAIS, SEM PROJECTO APROVADO, E CONSTRUIDAS SEGUNDO UM PROJECTO CHEIO DE IRREGULARIDADES, RAZÃO PELA QUAL DEVERIA TER SIDO DE IMEDIATO PROFERIDO O EMBARGO PELO IPPAR, NUM PRIMEIRO MOMENTO, E AINDA AQUANDO DA ENTRADA DA NOSSA PROVIDENCIA CAUTELAR. TUDO ILEGAL, SEM PROJECTO, SEM APOIO TÉCNICO, CONFORME ESTÁ AGORA PROVADO.
- MESMO A CONSIDERAR SER POSSIVEL ESTE MILAGRE, AS OBRAS SÓ ESTARIAM “LEGAIS” A PARTIR DE DIA 12 DE SETEMBRO, 2 DIAS ANTES DA ENTRADA DA CONTESTAÇÃO, OU SEJA, A APROVAÇÃO FOI COZINHADA DENTRO DO PRAZO DA ENTRAGA DA CONSTESTAÇÃO.
- O RELATÓRIO DO ARQUEÓLOGO VEM DAR RAZÃO À URGENCIA DA PARAGEM DAS OBRAS PEDIDA PELA ADIM, UMA VEZ QUE FORAM ENCONTRADAS ESTRUTURAS E MATERIAIS ARQUEOLÓGICOS… OU SEJA, SEGURAMENTE QUE PODEM TER SIDO DESTRUIDAS ESTRUTURAS DURANTE AS OBRAS SEM ACOMPANHAMENTO (95% SEGUNDO O TÉCNICO)… E O MESMO NAS CALÇADAS…
- QUALQUER CONFUSÃO ENTRE QUESTÕES TÉCNICAS CIENTIFICAS E PATRIMONIAIS LAVANTADAS PELA ADIM E O CONCURSO TELEVISIVO 7 MARAVILHAS É PURA CONFUSÃO. O ASSUNTO LEVANDADO PELA ADIM É UM ASSUNTO SÉRIO, ENQUANTO O CONCURSO TELEVISIVO REFERIDO É UM CONCURSO DE ENTRETENIMENTO, SEM QUALQUER VALOR CIENTIFICO OU TÉCNICO. A UNESCO PRONUNCIOU-SE MESMO NEGATIVAMENTE SOBRE ESTE EVENTO.
- ALIÁS, BASTA VER A OPINIÃO EMITIDA PELO PROF DR CLAUDIO TORRES A UM JORNAL LOCAL, PARA SE PERCEBER O ALCANCE DA DESTRUIÇÃO REALIZADA E DA FALTA DE CONHECIMENTOS E DE SENSIBILIDAEDE DEMONSTRADOS PELA CÂMARA. UMA OBRA COM ESTAS CARACTERÍSTICAS NÃO SE FAZ COMO SE FAZ UM CAMINHO RURAL… O DR CALAUDIO TORRES COMPARA MESMO AS CALÇADAS A UMA CASA OU UMA IGREJA … REQUER SENSIBILIDADE, CONHECIMENTOS TÉCNICOS PATRIMONIAIS E PAISAGISTICOS PARA NELE INTERVIR.



DIA 27 DE OUTUBRO 2007


A ADIM envia ao Presidente da Assembleia Municipal, para ser apresentado na próxima Assembleia, um texto em que responde ao documento apresentado na Assembleia Municipal de 27 de Setembro:


Ladeiras de Monsaraz – A verdade é a que é e não a que o município de Reguengos gostaria que fosse. A verdade não se pode fabricar num power-point.


Pela forma como está a reagir à questão das ladeiras de Monsaraz, o Município de Reguengos tem revelado que convive mal com a realidade da democracia. Não querendo assumir os erros cometidos, demonstra indiferença, arrogância e insensibilidade perante a actuação infeliz que teve e continua a ter. Resolve fingir que tudo esteve sempre bem, desvalorizando e atacando a posição da ADIM quando esta se limitou a fazer o que compete a todos e cada um dos cidadãos:

defender o património dos erros, mesmo os da administração pública. O Município de Reguengos tem tido uma reacção completamente imoderada, respondendo com ataques desmesurados, acusando a ADIM de uma acção político – partidária e os seus dirigentes de falta de senso. Tenta desviar as atenções do essencial para se refugiar no supérfluo. Recorre à afronta pessoal e procura pressionar cidadãos livres. Em resumo, atira para todo o lado, sem se preocupar em, racionalmente, tentar resolver o problema. Não contente com a atitude inicial, insiste obstinadamente em continuar com as obras ilegais. Tais atitudes são inadmissíveis em democracia.
A ADIM não pretende colocar a discussão no mesmo patamar que o município de Reguengos a está a colocar. Antes prefere não levar em conta tais reacções, que já não se usam nos dias que correm em sociedades modernas e verdadeiramente democráticas. Às pessoas que se interessem pelo assunto e que queiram uma informação independente, basta lerem as actas das sessões de câmara para fazerem o seu juízo, e perceberem os avanços o recuos que o Município tem feito.
A ADIM, desde a sua fundação, tem chamado a atenção para inúmeros problemas do nosso concelho, em particular da freguesia de Monsaraz, propondo e sugerindo formas de actuação, em particular nas questões patrimoniais e de desenvolvimento local. Sempre no plano Técnicocientífico e das ideias e nunca ao nível político, que não é esse o seu desiderato. O Município de Reguengos, sempre ignorou tais sugestões. Desde sempre que a ADIM defende que Monsaraz necessita de um plano de Salvaguarda e de um gabinete técnico especifico, exclusivo e permanente, constituído por técnicos qualificados, com experiência e capacidade cientifica adequada para gerir patrimonialmente a Vila de Monsaraz e a sua envolvente. Monsaraz é o único Monumento Nacional, que não possui estes instrumentos o que demonstra por parte do Município uma inépcia e um exemplo de má gestão cultural, inadmissíveis nos tempos que correm. Enquanto outros centros históricos preparam há anos as suas candidaturas a Património Mundial, e aplicam com rigor os seus planos de salvaguarda, recuperando e requalificando o seu património, Monsaraz contenta-se em ser candidata a concursos de televisão sem qualquer significado no plano científico. Quem assim se comporta demonstra uma atitude provinciana e uma enorme falta de habilidade para lidar com o património que é de todos.
Ao longo dos anos, sempre que o Município de Reguengos resolve fazer obras em Monsaraz, fálo em geral sem o mínimo respeito pela tutela e pelas práticas correntes, com maus projectos, sem conhecimento das matérias, sem competência técnica e envolve-se geralmente em polémicas desnecessárias. Por fim, uma referencia à acusação de que a ADIM agiu de má fé. A ADIM, no dia 1 de Agosto, divulgou junto das entidades competentes um comunicado em que chamava a atenção para as deficiências graves praticadas nas obras das ladeiras. A obra, que não fora aprovado pelo IPPAR, seguia um projecto sem qualidade, e não tinha em conta os necessários cuidados que se exigem em obras desta natureza. O IPPAR veio dar razão à denúncia da ADIM: Visitou as obras no dia 7 de Agosto, e na sequência, solicitou oficialmente a suspensão das obras no dia 8 de Agosto. Numa atitude arrogante e demonstrativa da falta de respeito pelos orgãos da tutela, o Município não acatou o pedido oficial de suspensão, admitindo mesmo que não lhe reconheceu legitimidade. A ADIM insistiu e no dia 10 de Agosto contactou novamente as autoridades com a tutela do património bem como o Município de Reguengos, para que se tivesse um pouco de bom senso e se parasse com as obras, de modo a poderem ser reavaliadas, com serenidade, tal como foi sugerido pelo IPPAR. Perante a indiferença e o desinteresse demonstrados pelo Município, a ADIM, viu-se forçada a recorrer às instâncias legais, tendo para o efeito, no dia 17 de Agosto, solicitado providência cautelar para o embargo da obra, como única solução para tentar minorar os efeitos nefastos que, do nosso ponto de vista, a intervenção em causa tem no património.


De qualquer modo, a acção da ADIM já vai tendo alguns frutos. Ao contrário do que afirma, o Município foi intimado pelo IPPAR a entregar novo projecto, por o existente não ser sequer considerado um projecto, tal a falta de qualidade, para além de estar subscrito por técnicos sem qualificação para tal; teve de ceder à alteração do uso de materiais propostos, nomeadamente do betuminoso com que pretendia revestir o solo do parque de estacionamento e da argamassa com que pretendia construir os muros das ladeiras e teve de, à pressa e em 8 dias, fazer um projecto completamente novo, que deveria ter sido feito, com tempo e qualidade, muito antes de iniciar as obras. Teve de arranjar um arqueólogo que se limitou a dizer que 95% da área já estava destruída. Todas estas acções e todos os documentos apresentados, agora, pelo Município, têm data posterior à da denúncia da ADIM. Depois de todas estas cedências, o Município ainda vem dizer que a ADIM não tinha razão? Por fim, se numa primeira fase vociferou que não tinha recebido nenhum pedido de suspensão das obras, vem agora, publicamente, admitir que o recebeu mas que não o considerou? Ora esta atitude, de desconsideração para com a instituição do estado que tem a tutela do património, e com a qual tem o dever de ter relações de cooperação, é uma atitude pouco saudável em democracia, incorrecta e pouco responsável por parte de quem tem o dever de gerir nosso património cultural. Todas estas atitudes apressadas, numa tentativa de emendar os lapsos cometidos, levam a que a qualidade
das intervenções seja remetida para segundo plano. Por outro lado, fazemos notar que o projecto apresentado nunca poderá ser aprovado, contrariamente ao que o município sugere, uma vez que as obras de um dos parques de estacionamento se desenvolvem em zona “Non Aedificandi” e como tal interdita a qualquer construção, de acordo com o previsto no Decreto Lei que estabelece a Zona Especial de Protecção ao Monumento Nacional Classificado. Pelo que, em nosso entender, as obras continuam a ser ilegais. Não é com estas práticas que se defende o património. A Acção judicial corre neste momento o seu percurso normal, e esperamos, responsavelmente, pela decisão final que determinará de que lado está a razão nesta questão.
Por fim, toda esta actuação do Município, que inutiliza os caminhos históricos com esta lamentável obra, ajuda a compreender porque razão tem demorado a aceitar receber, limpos e sinalizados desde Fevereiro de 2007, os caminhos que integram os percursos do imaginário, tal como está previsto em protocolo assinado por todos os parceiros, entre os quais o próprio Município - recordamos que estes caminhos foram objecto de um projecto de limpeza e divulgação, promovido pela ADIM e seus parceiros e financiado pelo programa LEADER; Ajuda também a perceber o tempo que tem demorado a aprovar o prometido subsídio, quando o Município tem entretanto aprovado subsídios muito mais avultados a outras organizações e associações; Também ajuda a compreender a razão pela qual o projecto da ADIM e dos seus parceiros foram “esquecidos” num encontro sobre “turismo rural”, em que a organização deu preferência à promoção, inexplicável, do turismo de segunda residência, confundindo claramente dois conceitos que são antagónicos; E também percebemos melhor a pressa que a autarquia teve em divulgar, nesse mesmo encontro, um projecto paralelo de percursos e caminhos. Demasiadas situações em relação ao mesmo tema. Não conseguimos perceber porque razão foram estes trabalhos realizados numa altura em que mais turistas se encontram na região, e mais procura existe de animação, sendo os “Percursos do Imaginário” um dos poucos exemplos de oferta nesta área.



DIA 29 DE OUTUBRO 2007


Até ao momento não existem avanços por parte do órgão judicial, estando o processo na posse da Dra. Juiz.

quinta-feira, agosto 23, 2007

DESMENTIDO

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A Câmara Municipal de Reguengos está a reagir muito mal ao facto de a ADIM ter denunciado o grave crime patrimonial que está em curso, arrasando as ladeiras históricas de Monsaraz e executando um projecto ilegal porque não tem parecer do IPPAR, com parte das obras em Zona Especial de Protecção do Monumento Nacional e parte em Zona Interdita à Construção (Zona non aedificandi). A Câmara recebeu um pedido de suspensão das obras que ignorou. O Município de Reguengos, para além de demonstrar arrogância e insensibilidade, mente ao afirmar que “não recebeu nenhum pedido de suspensão”. Para confirmar o que afirmamos, basta contactar a assessoria de imprensa do IPPAR, que confirmará que o pedido de suspensão foi feito. A Câmara Municipal tenta desviar a atenção do fundamental, acusando a ADIM de ter conhecimento do assunto. A ADIM nunca teve conhecimento nem acesso ao conteúdo do projecto e não existe nenhuma acta assinada pela ADIM em que seja referida a aprovação ou a concordância com o projecto em causa que aliás nunca vimos. A única coisa que a ADIM teve conhecimento foi que o Município tinha a intenção de arranjar as calçadas e que tinha um projecto para o efeito. Solicitámos a consulta desse projecto que nunca nos foi facultado Em nenhum momento nos foi COMUNICADO QUE O MESMO IRIA SER EXECUTADO SEM APROVAÇÃO DO IPPAR COM MAQUINARIA DO EXÉRCITO, SEM ACOMPANHAMENTO ARQUEOLÓGICO E FAZENDO PURA E SIMPLESMENTE A REGULARIZAÇÃO INDISCRIMINADA DO TERRENO SEM OLHAR A OUTROS VESTÍGIOS PATRIMONIAIS. O projecto em causa tem o título de “recuperação e requalificação da ladeiras pedonais de Monsaraz”. Não há analogia entre este título e a forma bárbara como as calçadas estão a ser destruídas. Portanto, ao afirmar que a ADIM conhecia os projectos e os teria aprovado, o município de Reguengos está a MENTIR.
Além disto o comportamento de desrespeito do Município para com as indicações do IPPAR é absolutamente inaceitável numa sociedade democrática em que as instituições têm que funcionar. O IPPAR tem a tutela do património classificado como é o caso de Monsaraz e a Lei obriga a que os projectos nas áreas classificadas sejam previamente aprovados pelo IPPAR, facto que foi pura e simplesmente ignorado pelo Município. Não é a ADIM quem tem que aprovar os projectos em Monsaraz. É o IPPAR. A ADIM só denuncia a situação porque a Lei não foi cumprida. Esta é a verdade.

quarta-feira, agosto 22, 2007

IGESPAR MANDA SUSPENDER OBRAS EM MONSARAZ

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sexta-feira, agosto 10, 2007

NOVO COMUNICADO: MONSARAZ - Ladeiras históricas arrasadas

Na sequência da denúncia feita pela ADIM, no passado dia 1 de Agosto, de que uma obra da Autarquia Reguenguense estava a arrasar as calçadas históricas de Monsaraz, a direcção regional do IPPAR de Évora actuou, e após uma reunião com os responsáveis camarários, realizada na passada terça-feira, dia 7 de Agosto de 2007, solicitou oficialmente a suspensão dos trabalhos. O referido pedido de suspensão deu entrada nos serviços da câmara na tarde do dia 8 de Agosto. De referir que os trabalhos em causa, parte deles dentro da Zona Especial de Protecção do Monumento Nacional Classificado, estão a ser realizados sem que o referido projecto tenha sido apreciado pelo IPPAR, como deveria ter sido, em nossa opinião, uma vez que se trata de uma zona classificada. Neste momento, manhã de dia 9 de Agosto, temos informações de que os trabalhos continuam, contrariando assim a solicitação oficial de embargo. A ADIM lamenta mais uma vez o sucedido e ainda que, apesar de os organismos oficiais terem actuado, a Câmara insista na destruição ao não suspender de imediato ao trabalhos. É de salientar que, mesmo que os trabalhos venham a ser suspensos, a totalidade das ladeiras históricas foram irremediável e completamente destruídas, sem qualquer possibilidade de recuperação, uma vez que o substrato arqueológico jamais será possível de reconstituir, bem como os afloramentos rochosos, muros de suporte e restantes elementos que constituíam no seu conjunto os antigos acessos à Vila Medieval.

Imagens dos trabalhos junto ao “corro” na tarde de ontem. É visível a proximidade do sistema defensivo setecentista, e o descuido com que a barreira é desaterrada sem qualquer cuidado nem acompanhamento arqueológico. Para além do descuido técnico na execução da obra, é altamente discutível a localização de um parque de estacionamento para autocarros num local tão sensível. O impacto desta localização infeliz será altamente prejudicial para a imagem da envolvente da Vila Medieval.

quinta-feira, agosto 09, 2007

REQUALIFICAÇÃO DAS LADEIRAS HISTÓRICAS DA VILA DE MONSARAZ GERA POLÉMICA

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In "PÚBLICO", Quinta-feira, 9 de Agosto de 2007, n.º 6341, Pg. 19.

sexta-feira, agosto 03, 2007

LADEIRAS HISTÓRICAS DA ViLA DE MONSARAZ ESTÃO A SER ARRASADAS

As Ladeiras históricas de Monsaraz estão a ser objecto de obras que estão a arrancar todos os vestígios que ainda restavam das antigas calçadas medievais, recorrendo a maquinaria pesada do exército. A operação, promovida pela Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, e financiada com fundos públicos e comunitários, está a decorrer em três ladeiras, antigos acessos à vila histórica, anteriores à construção da actual estrada asfaltada, e como tal parte integrante de todo o conjunto monumental, classificado como monumento Nacional, e com uma Zona Especial de Protecção (DL 35443, DG 1 de 02-01-1946; 516/71 de 22 de Novembro e DG (II Série), n.º 187, de 14-08-1951; DG, n.º 274, de 22-11-1971, decreto n.º 516/71). Parte das obras estão incluídas na referida zona especial de protecção, especialmente aquelas localizadas mais próximas das portas de acesso à Vila Fortificada, e que estão prestes a ser “arranjadas” da mesma forma.

O trabalho consta do arranque puro e simples da calçada existente, e da sua base de assentamento (cerca de 40 cm) sendo depois os materiais petreos britados e cilindrados e posteriormente passados com máquina niveladora, ou seja, a recuperação de caminhos históricos está a ser feita como se se tratasse de uma vulgar estrada. Os trabalhos decorrem a nível acelerado, estando já “tratados” cerca de dois quilómetros de calçadas. O trabalho está a ser feito sem qualquer acompanhamento arqueológico, sendo portanto incalculável o que se pode ter perdido de conhecimento cientifico sobre estes antigos acessos, alguns dos quais poderiam ter sido parte integrante das chamadas canadas reais, ou mesmo acessos mais antigos, remontando às ocupações pré-históricas do então castro fortificado.
Para além do arranque da calçada, os antigos caminhos estão a ser alargados, sendo para isso limpa toda a vegetação, com desbaste de azinheiras e eliminação dos rochedos naturais que ladeavam os caminhos, onde durante séculos os caminhantes se sentavam para descansar das agruras da subida. De salientar ainda que as barreiras, estabilizadas pelo tempo e pela vegetação natural, estão a ser formadas em talude, como se de um vulgar caminho se tratasse.

Parte dos muros de pedra de xisto, que suportavam as centenárias ladeiras, construídos com uma técnica que os preservou durante os anos, estão pura e simplesmente a ser demolidos e as suas pedras a serem integradas nos enrocamentos das futuras “estradas”.

Em simultâneo, como se de um ataque concertado à imagem da encosta Norte de Monsaraz se tratasse, um privado arrasou parte de outra ladeira histórica, a “Ladeira dos Bandalhos”, para abrir um acesso automóvel a um terreno na encosta, onde a câmara aprovou um duvidoso projecto de Arquitectura, envolvido em polémica por suspeita de actos ilegais, que já levaram de resto o caso aos tribunais. O referido acesso está a ser executado em plena reserva ecológica, parte sobre a referida ladeira, e parte num local onde nunca antes houve qualquer caminho. A obra em causa, cuja polémica remete para o anterior executivo camarário e deu origem à demissão de um vereador do PSD, voltou recentemente a dar nova polémica com outro vereador da mesma formação politica que se disse “enganado” ao reparar que aprovou o projecto anteriormente reprovado, por alegadamente lhe terem sido subtraídas informações. A obra, supostamente uma recuperação de uma ruína, para além da construção do caminho atrás referido, está neste momento em fase de movimentações de terras anormalmente grandes para uma pequena recuperação, que passam por alterações profundas dos perfis do terreno para posterior construção de duas plataformas artificiais, uma para a construção em causa e outra para implantação de uma zona de circulação de veículos, que antes nunca tinham tido acesso àquele nível da encosta. Tudo isto, em plena reserva ecológica, onde nem o coberto vegetal pode ser mexido.
Todas estas obras vão ter um impacto visual profundo e negativo na encosta de Monsaraz, contribuindo assim para a degradação da imagem e da paisagem do promontório onde se implanta a monumental vila Alentejana.

As ladeiras em causa, foram recentemente integradas numa rede de percursos denominados “Percursos do Imaginário”, por sua vez integrados numa “Rede Europeia de Turismo de Aldeia”, e foram limpos e sinalizados com financiamentos comunitários. Os trabalhos de limpeza e divulgação dos percursos foram financiados pelo programa “LEADER” e resulta de uma parceria alargada que integra a ADIM (Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz) um grupo de empresários de Monsaraz e Telheiro, e a própria autarquia Reguenguense. Todo este trabalho desapareceu assim debaixo da maquinaria que, diariamente e sem oposição de ninguém, continua a demolir e a triturar restos de história e de património, parte dele classificado. Os percursos eram regularmente utilizados por praticantes de pedestrianismo, que de todo o pais e mesmo do estrangeiro vinham participar em passeios, livres ou organizados, pelos locais sinalizados, conforme se documenta nas fotos que se anexam.

AS SETE MARAVILHAS DE PORTUGAL E DO MUNDO

Tem sido ultimamente muito badalado um acontecimento que se auto-intitula de “7 Maravilhas do Mundo”, ao qual está associada, também, uma eleição nacional das “7 Maravilhas de Portugal”. Monsaraz e o seu conjunto fortificado, com a designação de “fortificações de Monsaraz”, foram incluídos na lista eleitoral, depois de um processo que incluiu todos os 793 monumentos nacionais. Numa fase posterior foram seleccionados 77, um número considerado mágico, de onde foram seleccionados os 21 finalistas. Destes últimos sairá a lista final por voto dos “Portugueses”. Recordemos que, contrariamente ao que se sugere com o título de candidatura, todo o conjunto intramuros de Monsaraz, para além das respectivas fortificações, se encontra classificado actualmente como monumento Nacional, em processo iniciado em 1941 (1).
A dita eleição internacional foi inventada por um suíço ligado a produções televisivas, que fundou, em 2001, uma empresa chamada “New 7 Wonders Foundation”. Em Portugal, o evento é representado por outra empresa, a “Young & Rubican Brands”. O negócio envolve, para além da publicação final da lista, um conjunto de eventos como um “tour nacional” com camiões e balões de ar quente, cerimónias de entrega de certificados, festas em cada um dos monumentos “finalistas”, quiosques multimédia, e toda a parafernália utilizada em outros conhecidos concursos e acontecimentos televisivos do género, como foi o famoso concurso “Big Brother” a “Volta a Portugal em Bicicleta” ou a não menos famosa “Floribella”. O evento conta com o apoio, entre outros, do ministério da Cultura, e o Comissário Nacional é o Ex-Ministro Freitas do Amaral.

Para além deste “Tour Nacional”, Lisboa receberá ainda o mega evento internacional onde será feita a “Declaração Universal das Novas Sete Maravilhas do Mundo”, com votação por telefone e Internet a partir de todo o mundo. A data do festival final será no dia muito mágico de 07/07/07.

É bom recordar a origem e a razão da criação desta lista original das 7 Maravilhas do Mundo Antigo, atribuída ao poeta e escritor Grego Antíparo de Sídon que a elas se terá referido num poema entre os anos 150 e 120 A.C.. A lista é também conhecida como “Ta Hepta Thaemata” ou seja “As sete Coisas Dignas de Serem Vistas”. As razões da escolha foram naturalmente o carácter extraordinário dos monumentos escolhidos - obras de arquitectura, escultura e engenharia monumentais, erguidas pela mão do homem - que se destacavam pelas suas qualidades construtivas e decorativas, pela riqueza dos adornos, pela beleza compositiva e pelo seu significado simbólico, e não havia outro objectivo que não o de dignificar e valorizar a obra e a capacidade criativa do Homem. A lista incluía apenas monumentos do mundo civilizado conhecido à época, limitado à bacia do Mar Mediterrânico (2).

Actualmente, as classificações patrimoniais equivalentes à antiga lista de Antiparo de Sídon estão, naturalmente, entregues aos estados soberanos, que detêm os legítimos direitos sobre os seus monumentos. Em Portugal, compete por lei ao IPPAR a “classificação de imóveis de valor cultural. Cabe-lhe assim a definição dos critérios que deverão ser utilizados neste processo: critérios de carácter geral - histórico-cultural, estético-social e técnico-científico; e de carácter complementar - integridade, autenticidade e exemplaridade do bem”. Em termos internacionais, são os organismos representativos da ONU para as áreas culturais, UNESCO e ICOMOS, a quem compete idêntica e equivalente responsabilidade. Os processos de classificação incluem um conjunto complexo de etapas que culminam com o procedimento legal final, a respectiva publicação oficial em Decretos-lei e outros diplomas com força legal. Tem de ser assim, para que o interesse público seja salvaguardado pois que se trata de bens patrimoniais propriedade do estado e dos cidadãos.

Ora sendo assim, não se compreende que os nossos monumentos, o nosso património histórico e arquitectónico nacional, que já se encontra devidamente classificado, fique sujeito a um “plebiscito democrático” para ser eleito como “Maravilha Nacional”, num concurso cujos objectivos são apenas de criar lucro para empresas privadas. As técnicas televisivas e comerciais utilizadas, e a transformação de um assunto sério num espectáculo mediático, ainda por cima com o apoio do Ministério da Cultura, são de uma gravidade sem precedentes. O mesmo ministério da cultura, que recentemente impediu uma equipa cientifica e técnica de reputados e comprovadamente competentes investigadores de tocar no tumulo do Rei D. Afonso Henriques para proceder a recolha de elementos científicos importantes em estudo atempadamente autorizado, apoia um espectáculo em que se procede a uma eleição de 7 monumentos nacionais, como se estivesse a escolher o popular “Zé Maria de Barrancos” como finalista de um concurso de televisão.

Os contornos desta operação, que envolve televisões, publicidade, figuras públicas e muito dinheiro, são acolhidos por todos, desde o governo central às autarquias, com entusiasmo inaudito. Claro. Fazem logo a conta aos milhares de turistas que virão ver a “Maravilha Nacional”, deixar lixo e gastar papel higiénico nos cafés e casas de banho públicas e pouco mais. É que, esquecem-se esses senhores, o público alvo destes concursos popularuchos são do mesmo segmento que vê o “Big Brother” e elege os concorrentes ao “Canta Comigo” e outros que tais, logo, segmento com pouco interesse para o turismo de qualidade. Claro que os representantes locais também pensam de imediato no importantíssimo momento (para eles próprios) em que receberão o “certificado de finalista” relativo ao monumento da sua terra, com direito a alguns segundos de televisão.

Este caso é um caso notório de aproveitamento de bens públicos e de símbolos nacionais da forma mais interesseira possível. Tudo já serve para ganhar dinheiro e audiências de televisão. O respeito pelo património cultural nacional recebe um rude golpe com este vergonhoso aproveitamento, ainda por cima disfarçado de acto cultural e apoiado pelo estado e pelas autarquias. Não é admissível que uma lista feita há mais de 2000 anos, por nobres razões de valorização da capacidade humana para criar obras de excepção, seja transformada, sem originalidade e apenas com fins lucrativos, num espectáculo em que se elegem monumentos como num concurso de televisão se elege um cantor ou um dançarino. Os efeitos práticos da lista não serão nenhuns. Se lhes der mais lucros fazerem um novo concurso todos os anos, assim o farão.

As classificações de monumentos são um assunto sério que deve ser, como é ainda, tratado pelo Estado e pelas suas Instituições. Entregar competências como estas a empresas privadas, que apenas têm por objectivo lucros, é um precedente muito grave.

Em termos turísticos, a divulgação que o evento vai trazer pode ser contraproducente. Um monumento nacional, classificação que Monsaraz possui, não aparece por acaso. Essa classificação existe há muito tempo, e deve ser orgulho da população e dos seus responsáveis. Nenhuma outra classificação pode suplantar esta, excepto a de Património Mundial. E mesmo essa já está de tal forma vulgarizada que já perdeu significado. A inclusão de Monsaraz, como de qualquer outro monumento nacional, numa lista de vulgaridades televisivas, só pode trazer a menos valia de lhe estarmos a atribuir um qualidade artificial tão ao jeito da sociedade consumista do usar e deitar fora. Alguém ainda se lembra do “Zé Maria” de Barrancos? Pois é o que vai acontecer à lista das “7 Maravilhas de Portugal” depois de terem produzido os lucros que o negócio tem previsto. Por mim não votarei, pelo respeito que me merecem todos os monumentos construídos pelo homem e que ganharam a imortalidade pelas suas qualidades patrimoniais.

(1) MN, Dec. nº 35 443, DG 1 de 02 Janeiro 1946, ZEP, DG 187 de 14 Agosto 1951 e Dec. nº 516/71, DG 274 de 22 Novembro 1971
(2) Pirâmides de Gize e Farol de Alexandria no Egipto, Jardins Suspensos da Babilónia - actual Iraque, Estátua de Zeus em Olímpia - Grécia, Templo de Artémis em Éfeso, Mausoléu de Halicarnasso e o Colosso de Rhodes.

sexta-feira, junho 01, 2007

REDE EUROPEIA DE TURISMO DE ALDEIA RECEBE PRÉMIO DA ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO TURISMO

A Rede Europeia de Turismo de Aldeia, um projecto coordenado pela Região de Turismo de Évora e que envolve 14 aldeias do Alentejo, entre as quais a Aldeia do Telheiro – Freguesia de Monsaraz, no concelho de Reguengos, recebeu o Prémio Ulysses de Inovação, da Organização Mundial do Turismo (OMT)

O prémio, entregue numa cerimónia em Madrid (Espanha), é o primeiro do género a premiar uma entidade portuguesa, reconhecendo uma iniciativa portuguesa que se alargou a vários países europeus, nomeadamente Itália, Roménia, Polónia e Finlândia.
João Andrade Santos, Presidente da Região de Turismo de Évora, disse à Lusa que o reconhecimento da OMT é particularmente significativo por reconhecer um projecto “internacional mas coordenado e dirigido por uma organização Portuguesa”, no caso a Região de Turismo de Évora (RTE).
“É importante termos sido os líderes da equipa que levou esta cooperação avante e que já tinha sido anteriormente reconhecida, primeiro pela adesão dos parceiros europeus e depois por ter sido seleccionado para financiamento comunitário para projectos transnacionais do Interreg”, explicou.
“A OMT destaca alguns conceitos que nos são gratos, como o desenvolvimento sustentável, a defesa do mundo rural, o turismo de baixa intensidade e a cooperação comunitária, reconhecendo que estes valores estão presentes no nosso projecto e merecem ser levados ao conhecimento da opinião publica”, frisou. A ideia da criação de uma Rede Europeia de Turismo de Aldeia nasceu em 1999 na sequência de uma reunião do Projecto Learning Sustainability, que decorreu no Alentejo.
Nessa altura analisou-se um projecto que envolvesse turismo, a gestão dos espaços naturais, a qualidade, o cooperativismo e a relação entre as cidades e o meio rural, visando o “prosseguimento de formas de turismo sustentável em regiões Europeias marginalizadas, como é o caso do Alentejo em Portugal, de Trentino nos Alpes Italianos e da Lapónia Finlandesa”.

No Alentejo, a Rede criou um conjunto de “Percursos do Turismo do Imaginário”, que envolve todas as actividades de animação ligadas aos mitos, lendas, cultos e histórias das regiões e aldeias. Na Aldeia do Telheiro, o projecto conta com uma parceria alargada que integra a ADIM e um grupo de Empresários Locais (Capitão Tiago, Casa Saramago, Castas&Castiços, Convento da Orada, Flores&Companhia, Horta da Moura, Loja da Mizette, Monte Alerta, Monte da Avó Chica, Monte do Limpo, Monte Saraz, Rest. A Ladeira, Rest. Arco da Guia, Rest. Sem-Fim e Vila Planície), que em conjunto candidataram ao Programa "Leader " 3 projectos de divulgação e promoção dos percursos do imaginário e das unidades envolvidas.


sexta-feira, maio 25, 2007

CPCJ Reguengos de Monsaraz promove Acção de Formação “Intervenção em Situações de Maus Tratos Infantis”

A CPCJRM – Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Reguengos de Monsaraz, em colaboração com a Associação “Chão dos Meninos” – Associação de Amigos da Criança e da Família, promove no próximo dia 28 de Maio 2007, pelas 14 horas, a Acção de Formação “Intervenção em Situações de Maus Tratos Infantis”. A acção destina-se a Professores e outros Agentes Educativos e irá decorrer nas instalações da Escola Secundária Conde de Monsaraz – Sala A 21.

Como interventores, sobre a temática “Intervenção em Situações de Maus Tratos Infantis”, estarão presentes a Dra. Helena Gonçalves e a Dra. Elsa Machado – Associação “Chão dos Meninos” que irão abordar entre outros assuntos:

- Conceito de mau trato;
- O papel de todos os técnicos;
- Respostas adequadas e inadequadas;
- Medidas de promoção e protecção.

As inscrições para a Acção de Formação podem ser feitas junto dos Conselhos Executivos das Escolas ou directamente no Gabinete da CPCJRM até às 17 hora do dia 25 / 5 / 2007.

Para mais informações ou esclarecimentos contacte:
CPCJRM – Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Reguengos de Monsaraz

Edifício da Antiga Estação da CP
Av. Dr. Joaquim Rojão
7200 – 396 Reguengos de Monsaraz
Telef. 266 501 325 Fax: 266 501 326
e-mail:
cpcj.reguengosmonsaraz@gmail.com
www.cm-reguengos-monsaraz.pt/cpcjrm

Recordamos que “Qualquer entidade ou qualquer pessoa, incluindo a própria criança, pode solicitar a intervenção da CPCJRM com a garantia de sigilo e confidencialidade.”

sexta-feira, maio 18, 2007

CONSTRUÇÃO EM MADEIRA NA ENCOSTA DE MONSARAZ

A ADIM, Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz, vem por este meio denunciar junto dos órgãos de informação e das entidades tutelares, sobre o caso que se documenta fotograficamente. Junto à estrada de acesso a Monsaraz, mais propriamente junto ao local conhecido como “corro”, está a nascer uma construção que aparenta ser uma barraca de madeira, e que se imagina ser uma construção clandestina, uma vez que não apresenta nenhuma placa que ateste o seu licenciamento.
O local situa-se muito próximo, senão mesmo dentro, da área de protecção às muralhas e mesmo que não o fosse, a construção interfere fortemente com o conjunto amuralhado que é, recordemos, monumento Nacional.
A ADIM, no âmbito das suas obrigações de entidade atenta às questões patrimoniais da freguesia de Monsaraz, informou as entidades municipais e solicitou que, com a brevidade que a situação merece, se averigúe da legalidade da referida construção, para que não seja esta mais uma das situações em que o facto se consuma por inércia das entidades responsáveis, situação que já deu origem a muitos atentados, infelizmente conhecidos de todos nós, nas encostas da Vila de Monsaraz.
A Direcção da ADIM

quinta-feira, maio 10, 2007

Comunicado de Imprensa

A ADIM - Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz esclarece, relativamente à organização do “Encontro Transfronteiriço de Turismo em Espaço Rural/Cultural e Desenvolvimento Sustentável, a realizar dia 11 de Maio 2007 no Auditório Municipal de Reguengos de Monsaraz, da responsabilidade do Departamento de Sociologia da Universidade de Évora (DS-UE) e do Município de Reguengos, o seguinte:

A ADIM é uma entidade da sociedade civil, com actividade no âmbito do desenvolvimento local. Tem no terreno vários projectos, com financiamento Leader, em parceria alargada com um significativo número de unidades de hotelaria (nomeadamente TER´s), de restauração e de animação. Tem como parceiros o Município de Reguengos de Monsaraz, co-organizador do evento, a Região de Turismo de Évora (RTE) e a CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz.

Após ter tido conhecimento da realização do referido encontro, propôs a ADIM junto do Município, a apresentação de uma comunicação em que apresentaria os seus projectos, em particular o de limpeza e divulgação dos “Percursos do Imaginário”, integrados no projecto “GenuineLand - Rede Europeia de Turismo” promovido pela RTE. A pretensão seria enriquecedora para o encontro transfronteiriço. O tema integra-se completamente na temática tratada.

O Sr. Vice-Presidente do Município, Dr. José Calixto, respondeu de forma positiva à solicitação, condicionando-a à aprovação dos parceiros na organização, o DS-UE. A resposta destes foi negativa.

A ADIM não pretende impor a sua presença, reconhecendo à organização o direito de convidar quem entender para o evento. Não entendemos, nem podemos aceitar, enquanto associação da sociedade civil e mesmo enquanto cidadãos defensores da boa gestão dos dinheiros públicos e das boas praticas das instituições, a posição do DS-UE, que devia ser isenta, rigorosa e perseguir intenções científicas, atendendo aos seguintes factores:

- Não é de rigor científico que num seminário com o tema em causa, a realizar na sede do concelho, não esteja representada nenhuma empresa da região. Lembramos que na povoação do Telheiro existe uma experiência turística integrada numa “Rede Europeia de Turismo de Aldeia”. É impossível ignorar este facto;
- Por outro lado, os projectos que vão ser apresentados não têm características de turismo rural/cultural. A apresentação de dois grandes projectos turísticos classificados como PIN - Projecto de Interesse Nacional, sob a capa do Turismo Rural/cultural, ignorando verdadeiros projectos nesse âmbito, é uma tentativa de classificar erradamente projectos que são maioritariamente de turismo residencial/imobiliário, claramente com objectivos especulativos. Estes projectos, na sua maioria, propõem a divisão em quintinhas de grandes áreas agrícolas, que não têm nada a ver com a temática apresentada.
- Esta atitude é um claro favor político a negócios privados e especulativos, que devia ser distinto do rigor científico que preside a uma instituição universitária que se quer séria e isenta.

Queremos deixar claro que nada move a ADIM quanto ao interesse legítimo dos empreendedores destes projectos, se bem que estejamos em desacordo com a estratégia que os classificou de Interesse Nacional. Que esses empreendedores se auto-classifiquem de “Rurais”, “Sustentáveis”, “Culturais” e “Biológicos”, é uma responsabilidade que resolveram assumir como forma de propaganda do seu produto.

Reprovamos e vimos por este meio denunciar, o facto de uma universidade, instituição pública de âmbito científico, dar cobertura a acções de propaganda enganosas. Entendemos ser esse um dever de cidadania que se enquadra plenamente nos objectivos desta Associação.

A Direcção da ADIM

segunda-feira, abril 23, 2007

17.ª Edição dos ENCONTROS DE MONSARAZ

A ADIM Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz é uma entidade sem fins lucrativos, sedeada em Monsaraz, que trabalha desde 1988 na área do Desenvolvimento Local. Ao longo dos anos a ADIM tem levado a cabo várias iniciativas relevantes para a freguesia de Monsaraz. Contudo muitas das suas acções ultrapassam já o âmbito local e concelhio. Hoje a ADIM é uma associação voltada para o desenvolvimento regional e do Alentejo.Como uma das quatro associadas do Agrupamento Monte, ACE (entidade gestora do Programa de Iniciativa Comunitária Leader para o Alentejo Central), tem apoiado investimentos no Concelho de Reguengos de Monsaraz e Alandroal contribuindo assim para o desenvolvimento sustentado da Região.

À semelhança dos anos anteriores, a ADIM vai realizar mais uma edição dos “Encontros de Monsaraz”. Trata-se de um espaço de debate e troca de ideias e experiências que se tornou, ao longo dos anos, num acontecimento sócio-cultural e científico de significativa projecção a nível regional e nacional.

A iniciativa deste ano aborda a seguinte temática: “O Desenvolvimento do Alentejo rural o último quadro comunitário de apoio (2007-2013)”, em que se pretende apresentar cada novo programa do QREN e o PDR dando principal relevo ao que cada eixo e medida desses mesmos programas têm destinados para o Desenvolvimento Rural a Agricultura e o Turismo no Alentejo e principalmente para a nossa região (zona envolvente do regolfo do Alqueva).

Passeio Pedestre "O Folar do São Martinho"

Decorreu no passado dia 7 de Abril 07 o passeio pedestre "O Folar do São Martinho", organizado pela ADIM – Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz. Conforme previsto, passeamos por terrenos de "Velho Eremita", e visitamos algumas das Marmitas de Gigante, onde esta figura local terá vivido em tempos. Ambiente descontraído, caminhantes simpáticos, ritmo adequado, lanche saboroso e melhor regado, o indispensável folar da Páscoa, a surpresa e o encanto das paisagens.

O sol fez-nos companhia durante praticamente todo o passeio e, enalteceu o branco dos estevais, que salpicam a paisagem natural das encostas nas cercanias de Monsaraz.

A iniciativa foi bastante positiva, pelo que a ADIM, em breve, irá promover outra actividade deste género, que será divulgada atempadamente.





quarta-feira, março 28, 2007

PASSEIO PEDESTRE: O FOLAR DO SÃO MARTINHO

TELHEIRO / MONSARAZ - 7 DE ABRIL 2007 - 9 HORAS
DISTÂNCIA: 10 KM APROX. - DURAÇÃO: 4 HORAS
INSCRIÇÃO: 15 EUROS - T-SHIRT + LANCHE
A ADIM - Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz organiza no próximo dia 7 de Abril 2007 um passeio pedestre:

O Folar do São Martinho.

A história que o imaginário colectivo regista do Eremita São Martinho: Nos anos 50, em pleno regime Salazarista, foram os proprietários de terrenos e courelas obrigados a pagar, à Casa do Povo, uma contribuição sobre as suas propriedades. São Martinho, nome como ficou conhecido entre o povo, era proprietário de várias courelas e, aparentemente por resistência política, terá negado a prestar essa contribuição. A atitude deu origem à confiscação estatal de alguns dos terrenos que possuía. Sobraram os terrenos, pobres, das Lapas e Marmitas, conhecidos como Lapas da furada e Rocha do Demo. Deste modo, passou São Martinho de proprietário agrícola a vagabundo louco. Deambulava, moribundo, entre o Sitio das Lapas (a Sul de Monsaraz) e a Rocha do Demo (a Nordeste). Adoptou um estilo de vida primitivo e assim sobrevivia, alimentando-se do que a natureza lhe oferecia - figos, amêndoas, laranjas, marmelos, romãs e azeitonas – e do que recolhia das inúmeras hortas que na época plantavam as encostas soalheiras de Monsaraz. O Eremita da Lapa do Furado, assim ficou para a lenda, viveu nestas condições durante muitos anos, na prisão da sua loucura, mas na liberdade dos impostos. São Martinho tinha um irmão de nome Estevão, que também praticava o mesmo estilo de vida. São Martinho foi encontrado, morto, na Lapa que utilizou como abrigo, por volta de 1970.

A
ADIM convida-o(a) a participar neste passeio pedestre, no qual daremos a conhecer parte das Histórias do Imaginário da Freguesia de Monsaraz.

quarta-feira, março 21, 2007

O BARCO DE TESEU - UNS ANOS DEPOIS

Jorge Sanches da Cruz (Arquitecto) - In “Jornal Palavra” - Caderno temático 22 de 13 de Fevereiro de 2007; ano XL – n.º 477; Reguengos de Monsaraz

Uma lenda conta que o barco de Teseu foi conservado pelos atenienses durante um longo período. Para isso, foi preciso ir substituindo as peças que se iam degradando com o tempo. A partir da altura em que a maioria das peças já haviam sido substituídas por novas peças, pôs-se a questão de saber se o barco ainda era o mesmo ou se já se tinha criado um novo objecto. Por outras palavras, qual era a sua autenticidade material ou histórica.
A histórica Vila de Monsaraz, desde que foi “descoberta” nos anos 50, tem sofrido variadas operações de reconstrução e recuperação que a têm renovado, mantendo apesar de tudo o essencial da qualidade arquitectónica da sua estrutura urbana. Mas, Monsaraz não se limita a ser o magnifico aglomerado contido pelas muralhas do castelo, cuja urbanidade agrada de imediato ao mais desatento dos visitantes. Para alem do monumento construído, Monsaraz pertence a uma estrutura paisagística complexa que possui uma concentração invulgar de monumentos megalíticos, e uma cultura riquíssima que se consubstancia em usos e costumes, lendas e tradições, saberes e praticas, que têm moldado a gastronomia, a maneira de vestir, de falar, de cantar, a forma de ser e de estar das suas gentes. A construção da paisagem não se faz de um dia para o outro. Resulta da sedimentação de todos estes contributos e da intervenção sistemática do homem, que adapta e transforma o território em benefício da comunidade.

Estas potencialidades, que já perderam a maioria das suas funcionalidades originais, são hoje o que temos de mais valia para oferecer como capital de originalidade e autenticidade, e como produto atractivo para o turismo que é hoje a actividade económica mais disseminada no mundo global.
A actividade turística, que já se limitou a oferecer apenas sol e praia no verão, está a mudar. Cada vez há mais públicos específicos ávidos de novas experiências culturais, de mergulhar em territórios ricos em património e em história.
Monsaraz e o seu território próximo possuem todas estas características que o tornam um local único e autêntico.Saibamos todos proteger e divulgar correctamente a nossa cultura e a nossa paisagem, os nossos monumentos e o nosso património, e nunca teremos os problemas colocados em relação à autenticidade do Barco de Teseu.