terça-feira, dezembro 02, 2008

EXPOSIÇÃO JURGEN IRPS + PEDRO CABRAL

quarta-feira, novembro 05, 2008

EXPOSIÇÃO CONJUNTA IRPS / CABRAL

A ADIM - Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz, convida-o(a) a participar na inauguração desta exposição conjunta, a realizar no dia 29 de Novembro pelas 16h no edifício dos antigos celeiros da Família Beltran.

Agradecemos a divulgação desta iniciativa junto dos seus contactos.

sexta-feira, outubro 24, 2008

PASSEIO PEDESTRE

A ADIM - Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz, convida-o(a) a participar neste passeio pedestre, no qual daremos a conhecer parte das Histórias do Imaginário da Freguesia de Monsaraz e realizará um pequeno magusto com a ajuda e colaboração dos participantes. Agradecemos a divulgação do passeio junto dos seus contactos.

Contacte:

ADIM - Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz

Travessa da Misericórdia 7200-175 Monsaraz

Telef. 266 557 425 Telem. 963 960 602

adim.monsaraz@gmail.com

www.adim-monsaraz.pt

quinta-feira, setembro 18, 2008

MONSARAZ - Destruição de património nacional. Município de Reguengos condenado definitivamente pelo Supremo Tribunal

O Supremo Tribunal Administrativo deu novamente razão à providência cautelar que a ADIM (Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz) interpôs em Tribunal, relativa à destruição de Património em Monsaraz praticada pelo Município.
O Município foi assim, mais uma vez e definitivamente, condenado neste caso de construção de obras ilegais em zona classificada como monumento nacional. Falamos dos novos parques de estacionamento e ladeiras de acesso à vila medieval, construídos em Zona de Protecção das muralhas.
O Acórdão do Supremo Tribunal, de 15 de Setembro, nem sequer reconhece fundamento ao recurso que o Município apresentou, dando novamente razão à sentença proferida pelo Tribunal Central Administrativo do Sul que já tinha anteriormente dado razão à queixa da ADIM, e condenando-o mais uma vez a pagar as custas.
Esta firmeza da Justiça no reconhecimento, pela segunda vez, do protesto formal da ADIM contra a destruição do nosso património, só vem mostrar a gravidade dos actos praticados pelo Município que desrespeitou as leis em vigor no nosso país sobre obras e protecção de património classificado.
É desta forma que o Município quer fazer de Reguengos de Monsaraz um concelho de EXCELÊNCIA, destruindo o património de todos, cortando o diálogo, não ouvindo ninguém, e obrigando por isso a sociedade civil a recorrer aos tribunais para defender o património que é de todos, coisa que a Autarquia deveria ser a primeira a fazer, dadas as suas evidentes responsabilidades públicas. Felizmente que a JUSTIÇA funcionou e aplicou a LEI de forma neutra, dando razão neste caso à parte menos poderosa do diferendo.
A ADIM congratula-se com este facto e verifica com satisfação que o objectivo pelo qual tem lutado desde há mais de um ano, a suspensão das obras ilegais em Monsaraz, é justo e fundamentado. Aguarda-se agora a revisão da sentença, e a paragem imediata das obras, para que se possa ainda reparar, dentro do possível, os prejuízos patrimoniais provocados.


Monsaraz, 2008-09-16

A Direcção da ADIM

terça-feira, setembro 09, 2008

A ENVOLVÊNCIA DAS CORES EM MONSARAZ


terça-feira, agosto 26, 2008

MONSARAZ NOS PRÓXIMOS 20 ANOS - da fábrica que falece à vila de Monsaraz

26 e 27 de Setembro 2008 / SEM-FIM / TELHEIRO / MONSARAZ


1. Anualmente, a ADIM - Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz, promove uma iniciativa denominada Encontros de Monsaraz, com o objectivo de debater temas importantes para a Vila e para a Região em que se contextualiza.
2. No ano em que celebra o seu 20º aniversário, a ADIM pretende que a edição 2008 - 26 e 27 de Setembro - seja de alguma forma comemorativa desse passado de que se orgulha. No entanto, preocupados mais com o futuro do que com o passado, entendemos que o tema deve prospectivar em vez de retrospectivar. Assim, escolhemos como mote a conhecida obra de Francisco de Holanda, escrita em 1571 mas apenas tornada publica em 1879.
3. Francisco de Holanda, artista polivalente, trouxe até nós esta fantástica obra depois de ter feito uma viagem de estudo a Itália, onde bebeu cultura e modernidade, no convívio que teve com artistas e intelectuais renascentistas, entre os quais Miguel Ângelo. Ao regressar a Lisboa, entusiasmado com os novos ideais estéticos humanistas, escreveu, desenhou e sugeriu um conjunto de obras que, do seu ponto de vista, iriam engrandecer Lisboa e coloca-la a par do melhor que havia na Europa e no Mundo.
4. Estabelecendo as devidas distâncias, temporais e circunstanciais, Monsaraz também precisa de olhar para o seu futuro. Nos últimos anos a Vila tem estado sujeita ao casualísmo, sem plano de salvaguarda que estruture um objectivo e um caminho. Os projectos implementados, muito discutíveis do ponto de vista teórico e técnico das intervenções, também são muito discutíveis do ponto de vista do modelo de desenvolvimento subjacente. No fundo, sem aquele impulso renovador e objectivo das propostas de Francisco de Holanda. Monsaraz precisa, como Lisboa precisava, sobretudo, de ideias.
5. O desafio que colocamos a artistas, estudiosos e investigadores de várias áreas é que, de forma real ou utópica reflictam sobre este paradigma e que agitem o torpor instalado. Pedimos propostas e visões para Monsaraz para os próximos 20 anos. Ideias que ajudem, sobretudo, a afirmar Monsaraz com um novo modelo, dado que estamos a falar de uma máquina de guerra desactivada e sem futuro enquanto tal. Ideias que possam proporcionar à Vila morta e entregue ao ritual dos passeios de fim-de-semana, um novo fôlego e uma renovada existência.
6. As ideias e propostas a apresentar poderão ter vários âmbitos, do texto ao desenho, do projecto ao esboço virtual. Poderão ter cariz teórico, técnico ou artístico, segundo a origem formativa dos seus autores. Poderão abranger as áreas da arquitectura e das diferentes artes - pintura, escultura, performance - mas poderão ser também propostas nas áreas da sociologia, da filosofia, da arqueologia, do planeamento, da economia e do ambiente entre outras.
7. O encontro realiza-se na tarde de sexta-feira (26) e na manhã de sábado (27) com a apresentação das propostas. No sábado, depois de almoço, realizar-se-á uma mesa redonda onde os intervenientes e os participantes poderão discutir as ideias apresentadas.
8. As propostas serão objecto de publicação e, se for caso disso, de uma exposição a realizar oportunamente.
As inscrições para participar neste encontro, bem como qualquer outro pedido de informação, devem ser dirigidos para:
ADIM – Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz
Travessa da Misericórdia, 7200-175 Monsaraz
T.266557425 F. 266 550 121 Tm. 963 960 602

quinta-feira, junho 26, 2008

COMUNICADO

Tribunal Central Administrativo do Sul dá provimento ao Recurso da ADIM e revoga sentença relativa à Providencia Cautelar de suspensão das obras das Ladeiras de Monsaraz
A ADIM recorreu da sentença do Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja (TAFB), que rejeitou uma providência cautelar que visava a suspensão das obras nas ladeiras de Monsaraz e num parque de estacionamento, por esta consideradas ilegais.
O Tribunal Central Administrativo do Sul (TCAS) veio agora dar razão à pretensão da ADIM, referindo no seu acórdão que “…a solução alcançada pelo tribunal não foi a acertada.” Entendeu este tribunal que a ADIM, na qualidade de interessada, não foi notificada das deliberações, como o Município defendia, e que o mesmo Município “não conseguiu provar da caducidade do direito da acção principal.”
Diz ainda a sentença que “…nos autos, não se apura qualquer facto que permita concluir pela extemporaneidade da impugnação contenciosa de tais deliberações…” tendo a sentença, objecto de recurso da ADIM, julgado “de forma errada”.
Acrescenta ainda que “o tribunal tinha elementos de prova nos autos para poder decidir correctamente, mas não o fez, incorrendo no apontado erro de julgamento de facto, assim como no de direito, quando deu por verificada a alegada intempestividade da acção principal.”
Portanto, os alegados erros processuais nunca existiram, não tendo tido a sentença objecto de recurso, o “cuidado de apurar a devida matéria de facto.”
Antes pelo contrário, a conclusão que se retira do presente acórdão do TCAS, é a de que os erros ocorreram, de facto, mas nas alegações do município, bem como na sentença do TAFB.
Assim, conclui o acórdão, “verificando-se o apontado erro de julgamento de facto e de direito, erro de violação da lei referido” (pela ADIM no seu recurso) “não se pode concluir pela caducidade do direito de acção principal, …/… carecendo a sentença recorrida de ser revogada e substituída por outra…” razão pela qual acordam os juízes do TCAS em “conceder provimento ao recurso judicial, revogando a sentença…” e em “condenar o recorrido (o Município de Reguengos) nas custas.”
A ADIM congratula-se com o facto de se ter feito justiça, e verifica com satisfação que o objectivo pelo qual tem lutado desde há quase um ano, a suspensão das obras que considera ilegais era justo e fundamentado. Aguardamos agora que se efective a nova sentença, e que as obras sejam objecto de paragem imediata até posterior análise da matéria que virá, esperamos, reparar dentro do possível, os prejuízos patrimoniais entretanto provocados.
Monsaraz, 2008-06-25
A Direcção da ADIM

segunda-feira, junho 09, 2008

BONECOS DE BOLSO EM MONSARAZ

Inaugurou em Monsaraz, no passado dia 5 de Junho, a Exposição “Bonecos de Bolso em Monsaraz” de Pedro Cabral, que irá estar patente ao público até ao próximo dia 15 de Junho (Domingo) na Galeria Casa dos Sapos – Teoartis. A Exposição integra o programa das comemorações dos 20 anos da ADIM – Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz.
Pedro Cabral (arquitecto) desenha, no seu dia a dia, em pequenos blocos e cadernos de papel e explana: “Desde 2005, num registo que pretendo mais ou menos diário, estes ensaios vão aparecendo em blog no http://bonecosdebolso1.blogspot.com/. Este blog teve a enorme vantagem de me pôr em contacto com tantos outros apaixonados por esta actividade e de aprender, por comparação, outras maneiras de ver aquilo para onde olhamos”.

Refere o autor que “Foi através do blog Bonecos de Bolso que, a propósito de uns desenhos feitos em férias, fui contactado pela ADIM - Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz - e convidado para esta primeira exposição de Bonecos de Bolso a título individual. Fica a esperança de que os Bonecos de Bolso contribuam, de alguma forma, para a promoção desta belíssima vila alentejana”


“Quase todos os bonecos são, de facto, em formato de bolso e quase todos feitos in loco. Normalmente uso cadernos pequenos (A5 ou A6) lápis, canetas pilot, esferográficas, e lápis de cor (cortados ao meio, guardados numa pequena caixa de chocolates, para caberem no bolso).”

quinta-feira, junho 05, 2008

Monsaraz - Encontrado povoado pré-histórico da idade do Bronze

Foi descoberto em Monsaraz uma grande urbe da Idade do Bronze, que passa exactamente pela zona que está a ser intervencionada pelo município de Reguengos de Monsaraz para a construção de um parque de estacionamento cujo projecto e obra têm vindo a ser contestados pela ADIM.

Desta forma, comprovam-se os piores receios, para os quais a ADIM tem vindo a alertar desde o início destas intervenções (parte delas em Zona Interdita à Construção e portanto ilegais) e ainda a necessidade da realização de estudos e intervenções arqueológicas prévias neste tipo de obras, em áreas sensíveis e protegidas por lei.

Caso tivessem acontecido as referidas intervenções antes das obras, como sempre defendemos, não se teria destruído solo de enorme importância arqueológica. Por outro lado, e com a conhecimento agora adquirido, outras poderiam ser as soluções, diferentes das actuais, que se limitam a ser intervenções avulsas e descontextualizadas. O monumento agora descoberto, poderá vir a ser importante num possível projecto sério de valorização global da Vila de Monsaraz e da sua envolvente, sustentada cientificamente, que tarda em surgir.


A Direcção da ADIM


informação disponível em GemaBolg - Grupo de Estudos do Megalitismo Alentejano - nos seguintes link´s:


Monte Xarez: uma grande urbe da Idade do Bronze


Trabalhar para o Bronze


Monsaraz Soma e Segue

terça-feira, maio 27, 2008

CONVITE "BONECOS DE BOLSO EM MONSARAZ"

Caros sócios, parceiros, colaboradores e amigos,
A Direcção da ADIM tem a honra de convidar V. Ex.ª para a inauguração da exposição "BONECOS DE BOLSO EM MONSARAZ", ilustração em cadernos de Pedro Cabral, que se vai realizar no dia 7 de Junho de 2007, pelas 17H00, na Galeria de Arte "Casa dos Sapos" em Monsaraz.
A exposição está integrada nas comemorações do vigésimo aniversário da ADIM - Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz.
A Direcção da ADIM


terça-feira, maio 20, 2008

CAMINHAR PELO IMAGINÁRIO DE MONSARAZ

Integrado nas Comemorações do Vigésimo Aniversário da ADIM – Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz realizou-se, no passado dia 10 de Maio, na Freguesia de Monsaraz o Passeio Pedestre: Caminhar pelo Imaginário.

Este passeio teve a participação de mais de quatro dezenas de pessoas que assim puderam conhecer e estabelecer um contacto mais directo com o património histórico, cultural, arqueológico e paisagístico da Freguesia de Monsaraz.

A caminhada, de cerca de 13 km, que teve início na Aldeia de Telheiro, passou pela Vila Fortificada de Monsaraz onde foi feita uma breve abordagem à história da Vila e da região, tendo continuado pelas ruas da vila e pelos seus monumentos mais significativos, depois foram visitados alguns dos monumentos megalíticos da Freguesia de Monsaraz: Cromeleque do Xerez, Menir da Bulhoa e Menir do Outeiro, sempre acompanhados de breves elucidações históricas e cronológicas.

O passeio terminou com um excelente almoço no Restaurante Arco da Guia, onde a gastronomia local brilhou. Aí foram oferecidas algumas lembranças aos caminhantes, que manifestaram a sua intenção de regressar brevemente a esta freguesia, talvez num outro passeio organizado pela ADIM.

sexta-feira, abril 18, 2008

DIA INTERNACIONAL DOS MONUMENTOS E SÍTIOS

MONSARAZ
18 de Abril de 2008
DIA INTERNACIONAL DOS MONUMENTOS E SÍTIOS

Hoje, por todo o Mundo, celebra-se o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios. Esta iniciativa realiza-se de diferentes formas, quer através da simples abertura de espaços habitualmente fechados ao público ou através de actividades bem organizadas e de relevo, dando o merecido destaque aos locais de interesse na área do património arquitectónico, arqueológico, cultural, paisagístico, religioso, etc.

“O Dia Internacional dos Monumentos e Sítios foi criado, pelo ICOMOS (Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios), em 18 de Abril de 1982 e aprovado pela UNESCO no ano seguinte. A partir de então, esta data comemorativa tem vindo a oferecer a oportunidade de aumentar a consciência pública relativamente à diversidade do património e aos esforços necessários para o proteger e conservar, permitindo, ainda, sensibilizar para sua vulnerabilidade.

O ICOMOS elegeu como tema estruturante do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios de 2008 o tópico "Património Religioso e Espaços Sagrados", com o objectivo de contribuir para o reconhecimento, protecção e valorização dos edifícios e obras de arte religiosas, bem como de todos os espaços investidos de valor sagrado pelas respectivas comunidades humanas.
Considerando que a expressão cultural da religiosidade, enquanto dimensão humana universalmente presente, constitui um dos mais importantes componentes do património no mundo actual, e é uma das principais marcas da paisagem cultural portuguesa, propõe-se, no dia 18 de Abril de 2008, dedicar um olhar especial ao património religioso e aos espaços sagrados nas suas múltiplas dimensões - humana, social, cultural, simbólica e memorial.” (fonte: http://www.ippar.pt)

A Vila de Monsaraz, classificada no seu todo como Monumento Nacional, possui ainda no seu conjunto fortificado intramuros e na sua envolvente, outros monumentos classificados ou de relevante interesse patrimonial. Nenhum deles está a ser alvo, neste dia especial, de qualquer actuação por parte das entidades competentes deste domínio, em especial o Município de Reguengos, para assinalar esta data simbólica.

No entanto, como paradoxalmente se constata, está neste momento a envolvente da vila a ser alvo de destruição e de adulteração da sua originalidade monumental e paisagística, com a construção de banais parques de estacionamento para autocarros e automóveis em “Zona Especial de Protecção” e especificamente em “Zona Non Edificandi” (interdita a qualquer construção) e com a pavimentação, sem regras, de antigos acessos aos quais não foram aplicados os mais elementares critérios de prospecção e análise arqueológica.

Não se pode, por um lado encher a boca com intenções de excelência e de qualidade patrimonial, e por outro lado ignorar, esta data, ainda que simbólica, para não falar na ignorância manifestada ao promover obras com este impacto, sem os cuidados que internacionalmente são recomendados.

A ADIM – Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz – no quadro dos seus objectivos estatutários, tem vindo desde há muito a alertar a opinião pública relativamente a estas actuações, bem como para a diversidade do património e para os esforços necessários para o proteger e conservar. Tem ainda desenvolvido esforços no sentido da sensibilização da opinião publica local, regional, e até nacional, para os perigos que afectam a vulnerabilidade dos monumentos e sítios, indo assim ao encontro do que é objectivamente sugerido pelo ICOMOS - Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios.

Monsaraz, como um monumento no seu todo, incluindo a sua envolvente paisagística merece mais atenção!

quinta-feira, abril 10, 2008

CAMINHAR PELO IMAGINÁRIO

A ADIM - Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz, convida-o(a) a participar neste passeio pedestre, no qual daremos a conhecer parte das Histórias do Imaginário da Freguesia de Monsaraz.
FICHA DE INSCRIÇÃO

sexta-feira, março 28, 2008

COMUNICADO

COMUNICADO

A sentença emitida pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja, relativamente à providência cautelar interposta pela ADIM (Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz) para serem embargadas, com urgência, as obras ilegais que o Município iniciou em Agosto de 2007 nas Ladeiras históricas de Monsaraz e em dois parques de estacionamento, não foi favorável a esta associação.

O Tribunal não considerou que o embargo fosse o meio próprio para este caso, não tendo sequer avaliado a matéria de facto, nomeadamente o caso de as obras estarem a ser executadas sem projecto aprovado pela instância competente e estarem a ser realizadas em Zona Interdita à Construção, dentro da zona estabelecida como de Protecção ao Monumento Nacional.

A ADIM não se conforma com esta decisão, e entende que se mantêm os problemas já anunciados:
- A obra prejudica o património monumental da vila, e foi iniciada ilegalmente, sem que houvesse a adequada prospecção arqueológica como a lei prevê, e irá desvirtuar por completo a imagem da encosta de Monsaraz com muros de suporte que atingem 5 metros de altura.
- A localização dos parques de estacionamento e a forma como pretendem ser construídos, a pouco mais de 50 metros da muralha setecentista, destruiu irremediavelmente solo arqueológico, e vai contribuir para a descaracterização do conjunto monumental.

Assim, decidiu a ADIM avançar com as seguintes acções:
- Interpor recurso da decisão do TAFB para o Tribunal Central Administrativo do Sul;
- Interpor uma nova providência cautelar de intimação para a paragem imediata das referidas obras;
- Dar entrada à acção administrativa especial com vista à anulação da execução das obras, e à condenação do município na reposição da situação, bem como na tomada de medidas necessárias à menorização dos enormes prejuízos patrimoniais já provocados.

Estas acções visam a defesa intransigente de todo o Conjunto Monumental do Prédio Militar nº 1, classificado como Monumento Nacional – a Fortaleza de Monsaraz - e de toda a sua envolvente paisagística, protegendo este conjunto patrimonial de intervenções ilegais, mal pensadas, sem qualidade, desnecessárias, executadas sem os mais elementares cuidados e desenquadradas de qualquer estudo de conjunto.


Monsaraz, 2008-03-20
A Direcção da ADIM

segunda-feira, março 17, 2008

A verdade sobre a providência cautelar que o município de Reguengos diz ter “ganho”

Da sentença proferida nos autos pela MMª Juíza do Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja TAFB, em 20 de Fevereiro de 2008, relativa à providência cautelar de embargo de obras nas ladeiras de Monsaraz que a ADIM intentou contra o Município de Reguengos, só foi a ADIM notificada no dia 29 de Fevereiro. Tal facto deveu-se a um lapso dos serviços administrativos do tribunal, razão pela qual apenas agora pode a ADIM pronunciar-se sobre este assunto.

Em comunicado publicado no dia 3 de Março, vem o município de Reguengos, mais uma vez, reagir a esta questão de forma nervosa, continuando, como já é habitual, a não saber conviver com a realidade da democracia. Obstinado em não aceitar que cometeu várias irregularidades no decorrer destas obras, refugia-se agora na sentença do (TAFB), retirando dela falsas conclusões.

É um facto, e é verdade, que o TAFB não deu provimento ao pedido da ADIM de suspensão imediata das obras, que continuamos a considerar ilegais e deficientes. São porem falsas e inaceitáveis as conclusões que o Município de Reguengos pretende retirar desta decisão.

Assim, é mentira que o tribunal tenha falado em falta de rigor, em ausência de legitimidade e em falta de fundamentação. É mentira que a ADIM tenha sido condenada seja a que for, uma vez que a ADIM não era acusada de nada. A ADIM terá de pagar custas do processo, é verdade, mas isso não é nenhum tipo de condenação. Este uso abusivo de termos, visa passar a ideia de que o município “venceu” e que a ADIM saiu “derrotada”.

A única parte verdadeira do comunicado do Município é aquela em que se diz que o tribunal “considerou que o embargo não era o meio processual adequado a estas obras”. Assim foi. O tribunal nem chegou a apreciar os factos denunciados pela ADIM. A Absolvição da instância é diferente da absolvição da acção principal, cuja matéria não foi sequer ainda apreciada. Esta opinião da MMª Juíza do TAFB, que respeitamos, é passível no entanto de recurso para instância superior, como irá acontecer se assim for decidido pela direcção da ADIM. A actual sentença de absolvição, repetimos, nesta instancia, não transitou em julgado, podendo portanto os seus efeitos virem a ser alterados.

Continuando no seu arrazoado, a câmara atribui ao tribunal um conjunto de conclusões que não se podem retirar, pois este não se referiu a nenhuma questão de legitimidade, nem à falta de indicação de contra-interessados, que a seu tempo foram indicados.

Muito menos demonstrou a legalidade das obras efectuadas. Esse é o terror que o município demonstra ter, pois sabe que sempre agiu incorrectamente em todo este processo de obras. E sabe que o tribunal não se debruçou sequer sobre o assunto, por isso pretende, à força, iludir-se e iludir os outros.

A utilização de termos como “despropositadas e sem sustentação verídica ou fundamentação” são conclusões falaciosas, que se pretendem atribuir, presunçosamente, ao tribunal. A sentença pode ser lida na versão integral nos documentos abaixo digitalizados.

A ADIM admite e aceita não ter, nesta instância, conseguido atingir os objectivos que estariam de acordo com a defesa do património mas, infelizmente, o tribunal não analisou sequer a questão da legalidade das obras, nem as questões que se prendem com os processos e métodos errados utilizados pelo Município, que motivaram a nossa iniciativa. Em tempo oportuno, irá a direcção da ADIM avançar com a correspondente acção administrativa que depende da providência cautelar em causa.

A ADIM não se pretende colocar no mesmo patamar que o município de Reguengos, e fazer da questão uma brincadeira que se pode “ganhar ou perder”. O Município de Reguengos de Monsaraz NÃO “GANHOU”, neste processo, ainda NADA. Esta situação é por demais séria e grave, para que se comparar a um qualquer “jogo”, – trata-se de uma zona CLASSIFICADA DE PATRIMÓNIO NACIONAL. Se algo pode vir a perder-se nesta matéria é o património monumental de Monsaraz e da sua envolvente.

O Município parece, neste comunicado triunfal, estar esquecido de que foi intimado pelo IPPAR a entregar novo projecto, por o existente não ser sequer considerado um projecto, por manifesta falta de qualidade; Que teve de ceder à alteração do uso de materiais propostos, nomeadamente do betuminoso com que pretendia revestir o solo do parque de estacionamento e da argamassa com que pretendia construir os muros das ladeiras; Que teve de, à pressa, fazer um projecto completamente novo, a pedido do IPPAR; Que teve de contratar um arqueólogo que, infelizmente, se limitou a constatar que 95% da área já estava destruída. Todas estas acções são consequência da denúncia da ADIM. Depois de todas estas cedências, o Município ainda diz que as obras eram legais e correctas?

Recordamos ainda que, parte destas obras se estão a realizar em zona “Non Aedificandi” e como tal interdita a qualquer construção, de acordo com o previsto no Decreto Lei que estabelece a Zona Especial de Protecção ao Monumento Nacional Classificado. Pelo que, em nosso entender, as obras continuam a ser ilegais.

Por último, que fique bem claro, juridicamente, a base da fundamentação desta sentença, encontra-se numa deliberação da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, de Fevereiro 2006, logo aí com a abstenção de um vereador e a sugestão de outro, para que se solicitasse o respectivo parecer ao IPPAR.

Acontece que o início da execução destas obras, com grandes máquinas de rastos e terraplanagens, ocorreu na terceira semana de Agosto de 2007. Altura em que a ADIM intentou a referida Providência Cautelar.

A ADIM - Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz – procura pois, e tão somente com o seu procedimento, defender, preservar e acautelar aqueles que são os verdadeiros interesses de Monsaraz. A forma de actuar do município de Reguengos em todo este processo está a ser avaliada pelos cidadãos livres. Não estamos sozinhos nesta apreciação. Uma petição com perto de 1000 assinaturas irá ser entregue ao Sr. Presidente da Câmara de Reguengos de Monsaraz, pedindo que se pare com estas obras infelizes e prejudiciais para a imagem e para o património de Monsaraz.

Monsaraz, 11 de Março de 2008
A Direcção da ADIM





sexta-feira, março 07, 2008

ENCONTROS DE MONSARAZ - Monsaraz nos próximos 20 anos


1. Anualmente, a ADIM - Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz, promove uma iniciativa denominada Encontros de Monsaraz, com o objectivo de debater temas importantes para a Vila e para a Região em que se contextualiza.

2. No ano em que celebra o seu 20º aniversário, a ADIM pretende que a edição 2008 seja de alguma forma comemorativa desse passado de que se orgulha. No entanto, preocupados mais com o futuro do que com o passado, entendemos que o tema deve prospectivar em vez de retrospectivar. Assim, escolhemos como mote a conhecida obra de Francisco de Holanda, escrita em 1571 mas apenas tornada publica em 1879.

3. Francisco de Holanda, artista polivalente, trouxe até nós esta fantástica obra depois de ter feito uma viagem de estudo a Itália, onde bebeu cultura e modernidade, no convívio que teve com artistas e intelectuais renascentistas, entre os quais Miguel Ângelo. Ao regressar a Lisboa, entusiasmado com os novos ideais estéticos humanistas, escreveu, desenhou e sugeriu um conjunto de obras que, do seu ponto de vista, iriam engrandecer Lisboa e coloca-la a par do melhor que havia na Europa e no Mundo.

4. Estabelecendo as devidas distâncias, temporais e circunstanciais, Monsaraz também precisa de olhar para o seu futuro. Nos últimos anos a Vila tem estado sujeita ao casualísmo, sem plano de salvaguarda que estruture um objectivo e um caminho. Os projectos implementados, muito discutíveis do ponto de vista teórico e técnico das intervenções, também são muito discutíveis do ponto de vista do modelo de desenvolvimento subjacente. No fundo, sem aquele impulso renovador e objectivo das propostas de Francisco de Holanda. Monsaraz precisa, como Lisboa precisava, sobretudo, de ideias.

5. O desafio que colocamos a artistas, estudiosos e investigadores de várias áreas é que, de forma real ou utópica reflictam sobre este paradigma e que agitem o torpor instalado. Pedimos propostas e visões para Monsaraz para os próximos 20 anos. Ideias que ajudem, sobretudo, a afirmar Monsaraz com um novo modelo, dado que estamos a falar de uma máquina de guerra desactivada e sem futuro enquanto tal. Ideias que possam proporcionar à Vila morta e entregue ao ritual dos passeios de fim-de-semana, um novo fôlego e uma renovada existência.

6. As ideias e propostas a apresentar poderão ter vários âmbitos, do texto ao desenho, do projecto ao esboço virtual. Poderão ter cariz teórico, técnico ou artístico, segundo a origem formativa dos seus autores. Poderão abranger as áreas da arquitectura e das diferentes artes - pintura, escultura, performance - mas poderão ser também propostas nas áreas da sociologia, da filosofia, da arqueologia, do planeamento, da economia e do ambiente entre outras.

7. O encontro realiza-se na tarde de sexta-feira e na manhã de sábado com a apresentação das propostas. No sábado, depois de almoço, realizar-se-á uma mesa redonda onde os intervenientes e os participantes poderão discutir as ideias apresentadas.

8. As propostas serão objecto de publicação e, se for caso disso, de uma exposição a realizar oportunamente.

As inscrições para participar neste encontro, bem como qualquer outro pedido de informação, devem ser dirigidos para:
ADIM – Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz Travessa da Misericórdia, 7200-175 Monsaraz
T.266557425 F. 266 550 121 Tm. 963 960 602E: adim.monsaraz@gmail.com / http://www.adim-monsaraz.pt/ / http://encontrosdemonsaraz2008.blogspot.com/

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

COMEMORAÇÕES VIGÉSIMO ANIVERSÁRIO DA ADIM

Fundada a 26 de Setembro de 1988, a ADIM – Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz comemora, no ano de 2008, o vigésimo aniversário da sua constituição.
Nestes 20 anos de actividade, a associação, sem fins lucrativos e orientada para a defesa dos interesses de ordem cultural, social, económica, patrimonial e ambiental da freguesia de Monsaraz, tem desenvolvido e dinamizado vários projectos, actividades e programas que pretendem alcançar os objectivos inicialmente previstos.
A ADIM assinala estas duas décadas de existência ao serviço da defesa do património e do desenvolvimento local com a realização de um programa específico de actividades e convida, desde já, todos os seus sócios, cerca de meio milhar, bem como os seus parceiros, colaboradores e amigos a participarem nestas actividades.
Actividade: Edição e publicação da Edição n.º 21 do Boletim Informativo da ADIM - PORTA DA VILA
Data: 20 de Março (dia do equinócio da primavera que se dá às 5h 48m)

Actividade: Assembleia-geral da ADIM e eleição dos corpos sociais para o biénio 2008-2010
Data: 6 de Abril
Local: Sede da ADIM
Actividade: Realização de passeios pedestres pelos percursos do imaginário - Genuineland
Data: 10 Maio
Local: Envolvente de Monsaraz

Actividade: Lançamento de 3 edições num passeio pelos locais mais importantes, explicado pelos autores:
- Inventário Paisagístico e Arquitectónico da Freguesia de Monsaraz;
- Utilização das plantas tradicionais de Monsaraz
- Guia de Visita da Freguesia de Monsaraz
Data: 21 de Junho (dia do solstício de verão)
Local: Monsaraz

Actividade: Realização de Exposição de Desenho – BONECOS DE BOLSO de Pedro Cabral
Data: Julho
Local: Monsaraz

Actividade: Realização da 18ª edição dos ENCONTROS DE MONSARAZ
- Monsaraz nos próximos 20 anos - (Da fábrica que falece à Vila de Monsaraz)
Data: 26 e 27 de Setembro
Local: Monsaraz

Actividade: Festa do vigésimo aniversário da ADIM, com distribuição de lembranças, e cerimónia comemorativa.
Data: 27 de Setembro
Local: Monsaraz

Actividade: Um dia na Pré–História em Monsaraz
Data: 18 de Outubro
Local: Envolvente de Monsaraz

Actividade: Exposição de fotografia de Jurgen Irps – Monsaraz
Data: 26 de Setembro
Local: Monsaraz
Actividade: Passeio Pedestre - Dia de São Martinho
Data: 15 de Novembro
Local: Envolvente de Monsaraz

Actividade: Exposição Conjunta em Reguengos de Monsaraz
Fotografia de Jurgen Irps Monsaraz - Desenhos de Pedro Cabral
Data: 29 Novembro a 14 de Dezembro
Local: Antigos Celeiros dos Beltran
Reguengos de Monsaraz
Actividade: Festa de Natal da ADIM e encerramento das comemorações do vigésimo aniversário
Data: Dezembro
Local: Monsaraz
ADIM - Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz
Tv. da Misericórdia 7200 – 175 Monsaraz
Telef. 266 557 425 Telem. 963 960 602

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Carta Aberta ao Exmº Sr. Primeiro Ministro por ocasião da sua Visita a Monsaraz

Exmº Sr. Primeiro Ministro José Sócrates

Dirigimo-nos a Vossa Excelência por ocasião da sua visita a Monsaraz, para lhe pedir que conceda algum do seu tempo e atenção às preocupações que gostaríamos de lhe transmitir, sobre a forma como está a ser orientado o futuro desta nossa região.

Somos uma pequena associação de defesa de Monsaraz, fundada há quase 20 anos. Poderá o senhor Primeiro Ministro pensar que não temos na região qualquer poder e assim é de facto. Tentamos apenas exercer a nossa cidadania, valor supremo para a qualidade de qualquer democracia avançada. Por isso tomamos a liberdade de lhe pedir que nos ouça.

Estamos preocupados com a forma como se está a preparar o futuro da nossa terra. Os projectos que se anunciam para a região, assentam em boa parte a sua mais valia na qualidade do ambiente, da paisagem e do património. Ora Monsaraz, vila classificada na sua totalidade como Monumento Nacional, continua a não ter um plano de salvaguarda, um plano que determine e clarifique o tipo de intervenções, sejam públicas ou privadas, de modo a preservar a sua identidade e genuinidade, de forma clara, balizada e devidamente fundamentada na teoria do restauro e da conservação, como acontece em toda a Europa avançada e moderna.

O plano de que carece esta Vila monumental deveria ainda ser abrangente o possível para regular as questões que se prendem com a especulação que tem afastado os residentes da vila, e oferecido os seus espaços habitacionais a casas de fim de semana e/ou a usos diferentes dos da habitação, em numero excessivo e desproporcionado. Este desequilíbrio só foi possível por ausência deste documento de planeamento fundamental, que também teria sido importante para estabelecer regras urbanísticas e arquitectónicas bem como estabelecer critérios de desenvolvimento turístico e de promoção. Com um documento com este alcance, suportado por estudos de análise pluridisciplinar a montante, que a ADIM tem reivindicado desde há muito, teriam sido evitados erros diversos, nomeadamente os que se prendem com a recuperação das muralhas dos sistemas defensivos e a construção de um sistema de acessos casuístico e não planeado, que torna o acesso principal a Monsaraz num conjunto inestético, poluído visualmente, e com um enquadramento paisagístico completamente desadequado do nível de qualidade que o monumento exige. Ter-se-iam também evitado as destruições de solo arqueológico que recentemente foram executadas pela autarquia nos antigos acessos à Vila, e que alias motivaram a intervenção da ADIM, que interpôs uma providência cautelar contra estas obras, que considera ilegais, parte delas em área “nom aedificandi” da Zona Especial de Protecção. Resumindo, até este momento, o fenómeno turístico não tem beneficiado plenamente a população, que tem vindo a ser empurrada para fora das muralhas, e nem patrimonialmente porque a pressão imobiliária tem provocado alguns destes problemas e outros ainda, como é o caso da corrida à construção na soberba encosta onde se alcantarilha o complexo militar. De facto, recentemente, também têm sido polémicas algumas obras que, mascaradas de recuperações, e desrespeitando regras elementares e a própria Lei, usando solo protegido e abrindo feridas na paisagem, podem ser o início do invadir das encostas da vila à construção descontrolada.

Queremos ainda referir o facto de um dos poucos projectos sustentáveis e importantes para o verdadeiro desenvolvimento desta terra, o tão falado Museu Regional de Arqueologia, um projecto verdadeiramente original e criador de mais valias efectiva para a região, não estar ainda construído. Antes, está completamente parado, 10 anos depois de ter sido prometido. De facto, a quantidade infinita de estudos, investigações, levantamentos e escavações arqueológicas efectuadas, produziram uma riqueza científica ímpar e notável que importa proteger e divulgar. Não se conhece outra experiência semelhante, a nível planetário, que tenha passado pela análise sistemática e pluridisciplinar de milhares de km2. O manancial de estudos que esta situação impar proporcionou, não foi ainda rentabilizado em termos turísticos. Com esse conhecimento singular, poderiam fazer-se vários museus virados para o futuro. Peças exemplares, únicas, que projectassem e divulgassem a região no mundo e que trouxessem os tão esperados visitantes.

Senhor Primeiro Ministro, o facto de sermos pequenos e sem poder económico e político na região, não nos retira, em nossa opinião, o direito de tentar fazer ouvir a nossa voz e alertar para a destruição concertada do nosso património e da nossa paisagem, da nossa cultura e das nossas tradições, em nome de um progresso e de um desenvolvimento que só aproveita a alguns, curiosamente os que já têm muito poder económico e político. A História normalmente julga e mostra de que lado está a razão. Mas é sempre tarde de mais na maior parte dos casos, e como o Senhor Primeiro Ministro bem sabe, nem sempre as maiorias têm razão e muitas vezes são as minorias que fazem avançar e dar os grandes saltos nas civilizações.

Infelizmente no nosso país são minorias os que defendem a Cultura, o Património e a Paisagem. Nós fazemos parte delas, mas não nos movem interesses económicos, pessoais nem de grandes grupos de poder. Somos, como dissemos ao princípio, pequenos e sem poder mas gostaríamos de pedir a Vossa Excelência que nos permita ser daqui e continuar a ser daqui, deste sítio, desta terra à qual estamos ligados. Que nos permita desenvolvê-la harmoniosamente, para todos, e não apenas para os novos senhores da terra loteada e urbanizada à custa da destruição da nossa paisagem, da nossa Reserva Agrícola e da nossa Reserva Ecológica.

Como uma vez disse o Embaixador José Cutileiro que tão bem compreendeu e estudou esta terra, “SER CULTO É SER DE UM SÍTIO” no sentido de que é a identidade da nossa terra e das nossas raízes que nos dão a força e a cultura para prosseguir de cabeça erguida e construir um futuro com Memória, ideia que muito bem enfatizou o Senhor Presidente da República no seu recente Roteiro para o Património e com a qual não podemos estar mais de acordo

Senhor Primeiro Ministro, pedimos-lhe que não permita que transformem a nossa MEMÓRIA num grande resort de PIN’S e golfes, de turismo igual a todos os outros turismos por esse mundo fora, em perfeito contra ciclo com o que de melhor e mais avançado se faz neste domínio do desenvolvimento local e do turismo de qualidade, em países verdadeiramente desenvolvidos e que Vossa Excelência tanto aprecia como é o caso dos países nórdicos.

Pedimos-lhe ainda que nos leia e que ouça este nosso grito de alerta e que não tenha medo do que dizem os pequenos sem poder nem influência porque só queremos ajudar a construir um futuro melhor para a nossa terra, justo e equilibrado, para todos.

Monsaraz, 25 de Janeiro de 2008

A Direcção da ADIM
(Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz)

quinta-feira, janeiro 03, 2008

MURALHAS A MARTELO

Para quem pensa que a questão das obras sem projecto em zona interdita à construção, recorrendo a métodos pouco adequados a quem intervem em zonas patrimoniais, como não recorrer a estudos arqueológicos, é uma pratica apenas de agora, exclusiva deste caso das obras nas ladeiras e parques de estacionamento de Monsaraz, está enganado.
A polémica estalou em 1993, quando das obras dos parques de estacionamento que decorreram nos revelins e no sistema defensivo avançado da Vila Classificada. Também dessa vez o Município de Reguengos desrespeitou várias regras elementares relativamente às técnicas e métodos de investigação, de projecto e de obra. No Município de Reguengos parece ser costume estar sempre acima da Lei, sobretudo quando se trata de património classificado.

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