sexta-feira, junho 01, 2007

REDE EUROPEIA DE TURISMO DE ALDEIA RECEBE PRÉMIO DA ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO TURISMO

A Rede Europeia de Turismo de Aldeia, um projecto coordenado pela Região de Turismo de Évora e que envolve 14 aldeias do Alentejo, entre as quais a Aldeia do Telheiro – Freguesia de Monsaraz, no concelho de Reguengos, recebeu o Prémio Ulysses de Inovação, da Organização Mundial do Turismo (OMT)

O prémio, entregue numa cerimónia em Madrid (Espanha), é o primeiro do género a premiar uma entidade portuguesa, reconhecendo uma iniciativa portuguesa que se alargou a vários países europeus, nomeadamente Itália, Roménia, Polónia e Finlândia.
João Andrade Santos, Presidente da Região de Turismo de Évora, disse à Lusa que o reconhecimento da OMT é particularmente significativo por reconhecer um projecto “internacional mas coordenado e dirigido por uma organização Portuguesa”, no caso a Região de Turismo de Évora (RTE).
“É importante termos sido os líderes da equipa que levou esta cooperação avante e que já tinha sido anteriormente reconhecida, primeiro pela adesão dos parceiros europeus e depois por ter sido seleccionado para financiamento comunitário para projectos transnacionais do Interreg”, explicou.
“A OMT destaca alguns conceitos que nos são gratos, como o desenvolvimento sustentável, a defesa do mundo rural, o turismo de baixa intensidade e a cooperação comunitária, reconhecendo que estes valores estão presentes no nosso projecto e merecem ser levados ao conhecimento da opinião publica”, frisou. A ideia da criação de uma Rede Europeia de Turismo de Aldeia nasceu em 1999 na sequência de uma reunião do Projecto Learning Sustainability, que decorreu no Alentejo.
Nessa altura analisou-se um projecto que envolvesse turismo, a gestão dos espaços naturais, a qualidade, o cooperativismo e a relação entre as cidades e o meio rural, visando o “prosseguimento de formas de turismo sustentável em regiões Europeias marginalizadas, como é o caso do Alentejo em Portugal, de Trentino nos Alpes Italianos e da Lapónia Finlandesa”.

No Alentejo, a Rede criou um conjunto de “Percursos do Turismo do Imaginário”, que envolve todas as actividades de animação ligadas aos mitos, lendas, cultos e histórias das regiões e aldeias. Na Aldeia do Telheiro, o projecto conta com uma parceria alargada que integra a ADIM e um grupo de Empresários Locais (Capitão Tiago, Casa Saramago, Castas&Castiços, Convento da Orada, Flores&Companhia, Horta da Moura, Loja da Mizette, Monte Alerta, Monte da Avó Chica, Monte do Limpo, Monte Saraz, Rest. A Ladeira, Rest. Arco da Guia, Rest. Sem-Fim e Vila Planície), que em conjunto candidataram ao Programa "Leader " 3 projectos de divulgação e promoção dos percursos do imaginário e das unidades envolvidas.


sexta-feira, maio 25, 2007

CPCJ Reguengos de Monsaraz promove Acção de Formação “Intervenção em Situações de Maus Tratos Infantis”

A CPCJRM – Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Reguengos de Monsaraz, em colaboração com a Associação “Chão dos Meninos” – Associação de Amigos da Criança e da Família, promove no próximo dia 28 de Maio 2007, pelas 14 horas, a Acção de Formação “Intervenção em Situações de Maus Tratos Infantis”. A acção destina-se a Professores e outros Agentes Educativos e irá decorrer nas instalações da Escola Secundária Conde de Monsaraz – Sala A 21.

Como interventores, sobre a temática “Intervenção em Situações de Maus Tratos Infantis”, estarão presentes a Dra. Helena Gonçalves e a Dra. Elsa Machado – Associação “Chão dos Meninos” que irão abordar entre outros assuntos:

- Conceito de mau trato;
- O papel de todos os técnicos;
- Respostas adequadas e inadequadas;
- Medidas de promoção e protecção.

As inscrições para a Acção de Formação podem ser feitas junto dos Conselhos Executivos das Escolas ou directamente no Gabinete da CPCJRM até às 17 hora do dia 25 / 5 / 2007.

Para mais informações ou esclarecimentos contacte:
CPCJRM – Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Reguengos de Monsaraz

Edifício da Antiga Estação da CP
Av. Dr. Joaquim Rojão
7200 – 396 Reguengos de Monsaraz
Telef. 266 501 325 Fax: 266 501 326
e-mail:
cpcj.reguengosmonsaraz@gmail.com
www.cm-reguengos-monsaraz.pt/cpcjrm

Recordamos que “Qualquer entidade ou qualquer pessoa, incluindo a própria criança, pode solicitar a intervenção da CPCJRM com a garantia de sigilo e confidencialidade.”

sexta-feira, maio 18, 2007

CONSTRUÇÃO EM MADEIRA NA ENCOSTA DE MONSARAZ

A ADIM, Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz, vem por este meio denunciar junto dos órgãos de informação e das entidades tutelares, sobre o caso que se documenta fotograficamente. Junto à estrada de acesso a Monsaraz, mais propriamente junto ao local conhecido como “corro”, está a nascer uma construção que aparenta ser uma barraca de madeira, e que se imagina ser uma construção clandestina, uma vez que não apresenta nenhuma placa que ateste o seu licenciamento.
O local situa-se muito próximo, senão mesmo dentro, da área de protecção às muralhas e mesmo que não o fosse, a construção interfere fortemente com o conjunto amuralhado que é, recordemos, monumento Nacional.
A ADIM, no âmbito das suas obrigações de entidade atenta às questões patrimoniais da freguesia de Monsaraz, informou as entidades municipais e solicitou que, com a brevidade que a situação merece, se averigúe da legalidade da referida construção, para que não seja esta mais uma das situações em que o facto se consuma por inércia das entidades responsáveis, situação que já deu origem a muitos atentados, infelizmente conhecidos de todos nós, nas encostas da Vila de Monsaraz.
A Direcção da ADIM

quinta-feira, maio 10, 2007

Comunicado de Imprensa

A ADIM - Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz esclarece, relativamente à organização do “Encontro Transfronteiriço de Turismo em Espaço Rural/Cultural e Desenvolvimento Sustentável, a realizar dia 11 de Maio 2007 no Auditório Municipal de Reguengos de Monsaraz, da responsabilidade do Departamento de Sociologia da Universidade de Évora (DS-UE) e do Município de Reguengos, o seguinte:

A ADIM é uma entidade da sociedade civil, com actividade no âmbito do desenvolvimento local. Tem no terreno vários projectos, com financiamento Leader, em parceria alargada com um significativo número de unidades de hotelaria (nomeadamente TER´s), de restauração e de animação. Tem como parceiros o Município de Reguengos de Monsaraz, co-organizador do evento, a Região de Turismo de Évora (RTE) e a CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz.

Após ter tido conhecimento da realização do referido encontro, propôs a ADIM junto do Município, a apresentação de uma comunicação em que apresentaria os seus projectos, em particular o de limpeza e divulgação dos “Percursos do Imaginário”, integrados no projecto “GenuineLand - Rede Europeia de Turismo” promovido pela RTE. A pretensão seria enriquecedora para o encontro transfronteiriço. O tema integra-se completamente na temática tratada.

O Sr. Vice-Presidente do Município, Dr. José Calixto, respondeu de forma positiva à solicitação, condicionando-a à aprovação dos parceiros na organização, o DS-UE. A resposta destes foi negativa.

A ADIM não pretende impor a sua presença, reconhecendo à organização o direito de convidar quem entender para o evento. Não entendemos, nem podemos aceitar, enquanto associação da sociedade civil e mesmo enquanto cidadãos defensores da boa gestão dos dinheiros públicos e das boas praticas das instituições, a posição do DS-UE, que devia ser isenta, rigorosa e perseguir intenções científicas, atendendo aos seguintes factores:

- Não é de rigor científico que num seminário com o tema em causa, a realizar na sede do concelho, não esteja representada nenhuma empresa da região. Lembramos que na povoação do Telheiro existe uma experiência turística integrada numa “Rede Europeia de Turismo de Aldeia”. É impossível ignorar este facto;
- Por outro lado, os projectos que vão ser apresentados não têm características de turismo rural/cultural. A apresentação de dois grandes projectos turísticos classificados como PIN - Projecto de Interesse Nacional, sob a capa do Turismo Rural/cultural, ignorando verdadeiros projectos nesse âmbito, é uma tentativa de classificar erradamente projectos que são maioritariamente de turismo residencial/imobiliário, claramente com objectivos especulativos. Estes projectos, na sua maioria, propõem a divisão em quintinhas de grandes áreas agrícolas, que não têm nada a ver com a temática apresentada.
- Esta atitude é um claro favor político a negócios privados e especulativos, que devia ser distinto do rigor científico que preside a uma instituição universitária que se quer séria e isenta.

Queremos deixar claro que nada move a ADIM quanto ao interesse legítimo dos empreendedores destes projectos, se bem que estejamos em desacordo com a estratégia que os classificou de Interesse Nacional. Que esses empreendedores se auto-classifiquem de “Rurais”, “Sustentáveis”, “Culturais” e “Biológicos”, é uma responsabilidade que resolveram assumir como forma de propaganda do seu produto.

Reprovamos e vimos por este meio denunciar, o facto de uma universidade, instituição pública de âmbito científico, dar cobertura a acções de propaganda enganosas. Entendemos ser esse um dever de cidadania que se enquadra plenamente nos objectivos desta Associação.

A Direcção da ADIM

segunda-feira, abril 23, 2007

17.ª Edição dos ENCONTROS DE MONSARAZ

A ADIM Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz é uma entidade sem fins lucrativos, sedeada em Monsaraz, que trabalha desde 1988 na área do Desenvolvimento Local. Ao longo dos anos a ADIM tem levado a cabo várias iniciativas relevantes para a freguesia de Monsaraz. Contudo muitas das suas acções ultrapassam já o âmbito local e concelhio. Hoje a ADIM é uma associação voltada para o desenvolvimento regional e do Alentejo.Como uma das quatro associadas do Agrupamento Monte, ACE (entidade gestora do Programa de Iniciativa Comunitária Leader para o Alentejo Central), tem apoiado investimentos no Concelho de Reguengos de Monsaraz e Alandroal contribuindo assim para o desenvolvimento sustentado da Região.

À semelhança dos anos anteriores, a ADIM vai realizar mais uma edição dos “Encontros de Monsaraz”. Trata-se de um espaço de debate e troca de ideias e experiências que se tornou, ao longo dos anos, num acontecimento sócio-cultural e científico de significativa projecção a nível regional e nacional.

A iniciativa deste ano aborda a seguinte temática: “O Desenvolvimento do Alentejo rural o último quadro comunitário de apoio (2007-2013)”, em que se pretende apresentar cada novo programa do QREN e o PDR dando principal relevo ao que cada eixo e medida desses mesmos programas têm destinados para o Desenvolvimento Rural a Agricultura e o Turismo no Alentejo e principalmente para a nossa região (zona envolvente do regolfo do Alqueva).

Passeio Pedestre "O Folar do São Martinho"

Decorreu no passado dia 7 de Abril 07 o passeio pedestre "O Folar do São Martinho", organizado pela ADIM – Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz. Conforme previsto, passeamos por terrenos de "Velho Eremita", e visitamos algumas das Marmitas de Gigante, onde esta figura local terá vivido em tempos. Ambiente descontraído, caminhantes simpáticos, ritmo adequado, lanche saboroso e melhor regado, o indispensável folar da Páscoa, a surpresa e o encanto das paisagens.

O sol fez-nos companhia durante praticamente todo o passeio e, enalteceu o branco dos estevais, que salpicam a paisagem natural das encostas nas cercanias de Monsaraz.

A iniciativa foi bastante positiva, pelo que a ADIM, em breve, irá promover outra actividade deste género, que será divulgada atempadamente.





quarta-feira, março 28, 2007

PASSEIO PEDESTRE: O FOLAR DO SÃO MARTINHO

TELHEIRO / MONSARAZ - 7 DE ABRIL 2007 - 9 HORAS
DISTÂNCIA: 10 KM APROX. - DURAÇÃO: 4 HORAS
INSCRIÇÃO: 15 EUROS - T-SHIRT + LANCHE
A ADIM - Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz organiza no próximo dia 7 de Abril 2007 um passeio pedestre:

O Folar do São Martinho.

A história que o imaginário colectivo regista do Eremita São Martinho: Nos anos 50, em pleno regime Salazarista, foram os proprietários de terrenos e courelas obrigados a pagar, à Casa do Povo, uma contribuição sobre as suas propriedades. São Martinho, nome como ficou conhecido entre o povo, era proprietário de várias courelas e, aparentemente por resistência política, terá negado a prestar essa contribuição. A atitude deu origem à confiscação estatal de alguns dos terrenos que possuía. Sobraram os terrenos, pobres, das Lapas e Marmitas, conhecidos como Lapas da furada e Rocha do Demo. Deste modo, passou São Martinho de proprietário agrícola a vagabundo louco. Deambulava, moribundo, entre o Sitio das Lapas (a Sul de Monsaraz) e a Rocha do Demo (a Nordeste). Adoptou um estilo de vida primitivo e assim sobrevivia, alimentando-se do que a natureza lhe oferecia - figos, amêndoas, laranjas, marmelos, romãs e azeitonas – e do que recolhia das inúmeras hortas que na época plantavam as encostas soalheiras de Monsaraz. O Eremita da Lapa do Furado, assim ficou para a lenda, viveu nestas condições durante muitos anos, na prisão da sua loucura, mas na liberdade dos impostos. São Martinho tinha um irmão de nome Estevão, que também praticava o mesmo estilo de vida. São Martinho foi encontrado, morto, na Lapa que utilizou como abrigo, por volta de 1970.

A
ADIM convida-o(a) a participar neste passeio pedestre, no qual daremos a conhecer parte das Histórias do Imaginário da Freguesia de Monsaraz.

quarta-feira, março 21, 2007

O BARCO DE TESEU - UNS ANOS DEPOIS

Jorge Sanches da Cruz (Arquitecto) - In “Jornal Palavra” - Caderno temático 22 de 13 de Fevereiro de 2007; ano XL – n.º 477; Reguengos de Monsaraz

Uma lenda conta que o barco de Teseu foi conservado pelos atenienses durante um longo período. Para isso, foi preciso ir substituindo as peças que se iam degradando com o tempo. A partir da altura em que a maioria das peças já haviam sido substituídas por novas peças, pôs-se a questão de saber se o barco ainda era o mesmo ou se já se tinha criado um novo objecto. Por outras palavras, qual era a sua autenticidade material ou histórica.
A histórica Vila de Monsaraz, desde que foi “descoberta” nos anos 50, tem sofrido variadas operações de reconstrução e recuperação que a têm renovado, mantendo apesar de tudo o essencial da qualidade arquitectónica da sua estrutura urbana. Mas, Monsaraz não se limita a ser o magnifico aglomerado contido pelas muralhas do castelo, cuja urbanidade agrada de imediato ao mais desatento dos visitantes. Para alem do monumento construído, Monsaraz pertence a uma estrutura paisagística complexa que possui uma concentração invulgar de monumentos megalíticos, e uma cultura riquíssima que se consubstancia em usos e costumes, lendas e tradições, saberes e praticas, que têm moldado a gastronomia, a maneira de vestir, de falar, de cantar, a forma de ser e de estar das suas gentes. A construção da paisagem não se faz de um dia para o outro. Resulta da sedimentação de todos estes contributos e da intervenção sistemática do homem, que adapta e transforma o território em benefício da comunidade.

Estas potencialidades, que já perderam a maioria das suas funcionalidades originais, são hoje o que temos de mais valia para oferecer como capital de originalidade e autenticidade, e como produto atractivo para o turismo que é hoje a actividade económica mais disseminada no mundo global.
A actividade turística, que já se limitou a oferecer apenas sol e praia no verão, está a mudar. Cada vez há mais públicos específicos ávidos de novas experiências culturais, de mergulhar em territórios ricos em património e em história.
Monsaraz e o seu território próximo possuem todas estas características que o tornam um local único e autêntico.Saibamos todos proteger e divulgar correctamente a nossa cultura e a nossa paisagem, os nossos monumentos e o nosso património, e nunca teremos os problemas colocados em relação à autenticidade do Barco de Teseu.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

O BARCO DE TESEU

AUTENTICIDADE E PATRIMÓNIO
O caso particular da Vila de Monsaraz
(Ana Paula Amendoeira (historiadora) e Jorge Sanches da Cruz (Arquitecto), Mestres em Recuperação do Património Arquitectónico e Paisagístico - texto preparado e aceite, para o 2º Encontro Sobre Conservação e Reabilitação de Edifícios, Lisboa, LNEC, Julho de 1994).

Uma lenda conta que o barco de Teseu foi conservado pelos Atenienses durante um longo período. A partir da altura em que quase todas as suas peças tinham sido substituídas por outras (iguais mas novas, com o objectivo de preservar o objecto mítico), pôs-se a questão de saber se o navio era sempre o mesmo ou se já um outro. E se já não era o mesmo, a partir de que restauro se tinha criado o novo navio? Por outras palavras, qual era a sua autenticidade material e histórica?

Teve lugar em Fevereiro de 94, na Noruega, um workshop preparatório de uma reunião de especialistas que se realizou em Novembro do mesmo ano, em Nara, no Japão, para examinar a questão da autenticidade na Convenção do património Mundial. Estes especialistas tiveram por missão avaliar a pertinência do conceito, na perspectiva das construções, restauros, reconstruções, medidas de reparação, etc., praticadas em cada região.

O trabalho feito no workshop da Noruega conseguiu unanimidade no estabelecimento de um conjunto de 5 aspectos a ter em conta quando se fala de autenticidade em património: a forma, os materiais, as técnicas, o contexto e a função. Acrescenta-se a estes um aspecto importante, aferidor também de um grau de autenticidade: a dimensão esotérica, não física, da essência e espírito dos rituais e da comunidade tradicional. Aqui, a autenticidade pode ser identificada não tanto pela originalidade dos materiais, mas preferencialmente nos processos. Como é o caso dos rituais de restauro dos templos orientais: à medida que a tradição continua, as construções podem ser mantidas, reparadas, reconstruídas, repintadas, redecoradas, respeitando as formas e os rituais tradicionais.

O caso particular da vila de Monsaraz, naquilo que se refere às texturas e à sua autenticidade material e histórica, apresenta alguns equívocos relativamente ao universalmente proposto e estudado pelos especialistas que atrás referimos.

Trata-se de um conjunto, cujo valor patrimonial tem, desde há várias décadas contribuído para a sua promoção turística, mas também para a sua “descontinuidade tradicional”: a descaracterização vivencial, provocada pela perda de população e ocupação maciça de alienígenas, anulou-lhe a dimensão não física da essência e do espírito, que apontámos como um dos aspectos de autenticidade.

As reparações e reconstruções ali feitas ao longo dos anos, põem por vezes em causa as várias autenticidades.

A falta de autenticidade dos materiais, das técnicas e processos, provocou uma significativa alteração das texturas que pouco já têm a ver com as de há vinte ou trinta anos, quando se usavam outros materiais, outros processos.

Pensamos ser consensual que as texturas são consequência de uma atitude global. São resultado de necessidades funcionais e estéticas autênticas. Não são em si próprias causas, embora isso seja confundido em intervenções recentes: encontramos muitos casos em que claramente se revela uma atitude de incompreensão e desenraizamento de um todo funcional. A autenticidade dos materiais, tão relacionada com a verdade das populações que os usam, esvai-se na ausência de intenção com que são utilizados. Constroem-se fachadas formais, cujo destino é serem consumidas por turistas que cada vez mais vão a Monsaraz como a um Museu, que lhes mostra uma receita estética, ao gosto deste final de século. O branco é ex-libris da vila, em contraste com a pedra das construções defensivas. Talvez seja um pouco incómodo para este “arranjo visual”, responsável pela actual imagem urbana da vila, afirmar que a eleição da monocromia do branco é muito recente em Monsaraz. Tem a ver com o “gosto esclarecido” de alguns intelectuais que nos anos 50 e 60 generalizaram a sua utilização. Acreditar na sua autenticidade é a nosso ver um equívoco.

No que diz respeito especificamente às questões de autenticidade, pensamos que a continuação da tradição da vida é geralmente a melhor maneira de manter os sítios históricos. A musealização e a invenção das tradições pode manter-lhes a forma, mas ao mesmo tempo reduz-lhe consideravelmente autenticidade, produz um impacto negativo no contexto de vida, na essência e principalmente na sua razão de ser.

Um pouco como a dúvida sobre o barco de Teseu...

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

ADIM coloca Blog no "ar"

Aproveitando as novas tecnologias e as actuais formas de comunicação global, a ADIM coloca no ar um Blog à disposição dos seus sócios e dos interessados na Vila de Monsaraz, no património arquitectónico e paisagístico e no desenvolvimento rural em geral. Este Blogue pretende ser um meio de comunicação e de informação ágil, e enquadra-se num conjunto de acções que a ADIM está desenvolvendo, com financiamento “Leader” e em parceria alargada. O objectivo final destas acções é o de construir uma estratégia de divulgação e promoção das potencialidades e capacidades locais da nossa região, nas suas variadas vertentes - a paisagem, as diferentes áreas patrimóniais, a cultura local, o ambiente e a natureza, a qualidade de vida, a gastronomia, a tranquilidade e o fruir do tempo. Estes princípios, que partilhamos com os nossos parceiros locais, contrasta em absoluto e pretende ser alternativa, à estratégia institucional, a nosso ver errada, do turismo de massas e de “resort”, que se está a querer implementar na nossa região, no presuposto de que as águas de Alqueva serão a solução para todos os nossos problemas.

Esperamos que se revejam nesta nova forma de comunicação, e nesta estratégia de intervenção com a qual pretendemos contribuir para a consolidação e desenvolvimento da freguesia de Monsaraz. Estamos abertos aos vossos comentários e participações.

A Direcção da ADIM